
O Rio Dordonha dá o nome a este Departamento de França situado a noroeste da Aquitaine.
Uma paisagem mesclada de vinhedos, penhascos que guardam cavernas trogloditas e sítios pré-históricos, castelos, famosos jardins e vilas medievais fortificadas.
Das mais de 150 vilas de França classificadas como “Les plus beaux villages de France” (As vilas mais bonitas da França), 10 estão localizadas no Vale do Dordonha.
A região outrora apelidada de Périgord, esconde joias preciosas como Sarlat-la-Canéda, Beynac-et-Cazenac, Domme, La Roque-Gageac, Saint-Jean-de-Côle, Saint-Amand-de-Coly, Belvès, Monpazier, Limeuil, Castelnaud-la-Chapelle, Saint-Léon-sur-Vézère.

Esta antiga região divide-se em 4 sub-regiões: o Périgord Noir (Preto), caraterizados pelas suas florestas densas de carvalhos, sendo Sarlat-la-Canéda a sua capital; o Périgord Blanc (Branco), o coração da Dordonha, onde fica a capital Périgueux, caraterizada pelo branco da pedra calcaria; o Périgord Vert (verde), com os enormes vales cobertos de florestas e rios, onde se destaca Brentôme, a Veneza do Perigord e o Périgord Pourpre (roxo), a região dos vinhos e cuja capital é Bergerac.
Rica em gastronomia, é mundialmente reconhecida pelo confit de canard e foie gras, trufas, cogumelos e nozes.
Como chegar
Nós começamos a nossa viagem em Bordéus, para onde voamos a partir de Lisboa e ao ficamos dois dias completos. Ao terceiro dia alugamos um carro, que levantamos no aeroporto de Bordéus e partimos cedo, rumo a Saint – Emílion – Entre História e os Châteaux.
Depois de visitarmos esta vila magnifica, rumamos junto às margens do Dordonha até Sarlat – la -Canéda, a capital do Perigord Noir.
De Saint Emilion a Sarlat – La – Canéda, são cerca de 170 quilómetros.
Sabíamos que o tempo era pouco (tínhamos de devolver o carro às 17:00 do dia seguinte no aeroporto de Bordéus, onde apanharíamos o voo para Lisboa), mas o desejo de conhecer algumas destas vilas icónicas era enorme e não resistimos.
Sarlat-la-Canéda

Esta linda cidade medieval desenvolveu -se em torno da abadia beneditina que ali se fundou no final do século VIII. A cidade muito prospera nos séculos XIII e XIV, foi destruída na Guerra dos Cem Anos, mas ganhou novamente o seu glamour no pós guerra, graças aos privilégios que recebeu por apoiar a causa francesa contra os ingleses.
Declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1962, a cidade tem a maior densidade de monumentos históricos registrados no mundo e por isso foi palco de mais de 80 filmes entre eles Jeanne d’Arc de Luc Besson, Les Misérables de Robert Hossein e La Fille de d’Artagnan de Bertrand Tavernier.


A visita à cidade faz-se caminhando pelas suas ruas e percorrendo todos os becos, o grande posto de turismo oferece mapas para se orientarem, mas importa saber que a Rue de la République, que apenas permite peões, atravessa a cidade medieval, mas é na Rue Montaigne onde se concentra o maior numero de edifícios renascentistas da França.

O que não podem perder
- Catedral de São Sacerdos e Paço Episcopal- este ultimo alguerga a oficina de turismo da cidade
- Capela de São Benedit
- A Lanterna dos Mortos – esta torre cilíndrica com cerca de seis metros de diâmetro foi construída como farol e luminária funerária, geralmente vazia por dentro, e na parte de cima há alguns buracos para colocar as luzes acesas no crepúsculo para guiar os mortos.
- O Presidencial o tribunal do século XVI.
- A mansão privada de Grézel
- Câmara Municipal
- Estátuas dos três gansos – símbolo da vila
- Mansão de Gisson é um dos edifícios históricos mais destacados desta vila medieval francesa. É composto por dois edifícios unidos por uma torre hexagonal. O interior da casa, que retrata um casa nobre de uma família Sarladiana do século XVII.
- Mansão do Vassalo
- A Capela dos Penitentes Brancos
- Fonte de Santa Maria
- Elevador Panorâmico da Igreja de Santa Maria e o mercado – a igreja original do século XII, terá sido demolida e reconstruída nos séculos XIV e XV. Hoje, alberga no seu interior o mercado coberto de Sarlat, com as suas portas gigantes. A torre do campanário foi transformada num miradouro, que oferece a melhor vista da cidade e para nos levar ao topo existe um elevador panorâmico.




Onde Comemos
Sarlat é um famoso paraíso gastronómico, as suas ruas estão repletas de lojas de venda de produtos locais, como o foie gras e trufas. Aos sábados na Place de la Liberté, realiza-se o mercado de produtos típicos locais. Em janeiro há a festa da Trufa e em fevereiro é o festival do ganso – Sarlat Fest’oie.
Queríamos experimentar esta famosa gastronomia e para tal escolhemos jantar no L´Espirit Sarlat, onde nos regalamos com Foie Gras, presunto noir do Periogord, Magret de Canard e Confit de Canard. E claro tudo regado com o melhor vinho da região.

Onde Dormimos
Escolhemos dormir no Hotel Montaigne, um três estrelas com quartos muito confortáveis e bastante central. O Parque de estacionamento gratuito, na época que fomos, era mesmo em frente e desde que chegamos até partirmos da cidade não precisamos de carro para nada.




La Roque – Gageac

A apenas 12 quilómetros de Sarlat fica La Roque – Gageac, uma pequena aldeia de casario de pedra dourada e telhados típicos da região que se estende ao longo da margem do Rio Dordonha, na sombra de um penhasco com mais de 40 metros de altura,
Habitada há mais de 300 anos dizem que é um dos locais mais visitado de França, o que faz com que sua população se multiplique em períodos festivos ou no verão.


A maioria dos seus edifícios são do século XII. Vale a pena a subida até à igreja do século XIV e visitar também o vizinho jardim exótico cheio de palmeiras, bananeiras, figueiras e catos. O jardim foi criado por Gerard Dorin em 1970, aproveitando o microclima oferecido pela proteção do penhasco.
Não deixem de se encantar pelo Manoir de Tarde, um dos edifícios mais bonitos da vila. Esta antiga mansão do século XVIII, pertencente a uma família nobre de Sarlat e funcionava como uma porta fortificada para entrar no recinto mais antigo da cidade e pelo Chateau de la Malartrie um pequeno castelo de estilo renascentista.
No topo da escarpa vê-se uma escadaria de tirar o fôlego. Ela leva-nos até ao que resta do Forte Troglodita que serviu para defender a aldeia A vista para o rio Dordogne é magnifica.




Perto da Aldeia há outro local imperdível os Jardins suspensos de Marqueyssac.
Beynac et Cazenac


Seguiu-se Beynac, outra das vilas magnificas do Periogord Noir.
O castelo do século XII é um dos mais bem preservados e autênticos da região e oferece vistas deslumbrantes sobre o vale dos 5 castelos e o rio Dordonha.
As origens de Beynac, não são medievais, mas mais antigas, remontam à Idade do Bronze. Os gauleses também a ocuparam para controlar o comércio de vinhos da Itália. E o castelo, provavelmente destinado a vigiar o rio, já existia no século IX, e serviu para defender os habitantes dos ataques vikings.


Na época da Guerra dos Cem Anos, o castelo de Beynac era uma das fortalezas da França. A Dordonha serviu nessa época de fronteira entre a França e a Inglaterra. Na outra margem do rio está o Castelo de Castelnaud, que naquela época estava nas mãos dos ingleses.
Em 15 de agosto de 1827, a vila de Cazenac, localizada a 5 km de distância, é anexada a Beynac.


Esta é mais uma vila onde vale a pena caminhar pelas suas ruas até ao castelo e dai apreciar as vistas.
Bergerac

A nossa ultima paragem foi nesta magnifica cidade pertencente ao Périgord roxo, que deve muito da sua notoriedade ao célebre personagem Cyrano de Bergerac, protagonista da peça de teatro homônima do dramaturgo francês Edmond Rostand.


A cidade é igualmente famosa por seus excelentes vinhos, provenientes das 13 denominações de origem controlada existentes na região.
O centro histórico da cidade é pequeno e em poucas horas é possível percorre-lo. Caminhem pelas ruas e apreciem a arquitetura medieval e as suas casas em enxaimel. A não perder estão, a Igreja de Notre Dame, do século XIX, o Museu do Tabaco e a Maison du Vins. Na Place du Docteur Cayla fica a igreja protestante com fachada neoclássica e vários restaurantes. Não deixem de visitar a Place de la Mirpe, com suas pitorescas casas em enxaimel e as estátua de Cyrano de Bergerac, uma do escultor Jean Varoqueau e a outra na Praça Pelissière, ao lado da Igreja de Saint Jacques, do escultor Mauro Corda.




Nesta cidade é ainda possível usufruir do rio Dordonha e fazer um passeio nos Gabares, embarcações típicas, de fundo chato usadas para transporte de mercadorias.

Esta viagem foi realizada de 17 a 21 de Fevereiro de 2023, enquadrada na nossa visita a Bordéus, , seguindo-se Saint – Emílion – Entre História e os Châteaux. que se não acompanharam podem faze-lo agora.
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