
Capital da Aquitânia, situada no sudoeste de França, às margens do Rio Garonne, Bordéus ou Bordeaux, é conhecida e reconhecida pelas suas vinhas e vinhos e património arquitetónico de uma grandiosidade tamanha, que apenas perde para Paris, no que diz respeito ao numero de monumentos incluídos na Lista de Património da Humanidade da UNESCO.
Muitas vezes denominada como Porto da Lua, Pequena Paris ou Bela Adormecida, é amplamente conhecida como a capital mundial do vinho e não é por acaso, pois ao seu redor existem inúmeras zonas demarcadas.
As suas ruas planas, repletas de praças com cafés acolhedores, a beira rio e os parques, a par com o seu rico património, fazem desta cidade uma excelente opção para uma escapadela de fim de semana ou para umas mini férias.
Guia Prático para visitar Bordéus

Como chegar: De Lisboa existem voos diários para Bordéus.
Para chegar do aeroporto internacional de Bordéus (que fica a cerca de 12 km) ao centro, existem duas alternativas, o shuttle direto que vai do aeroporto até à Gare de Saint Jean e que demora cerca de 30 minutos , com um custo de €. 8,00 ou a linha de autocarro 1, uma viagem mais demorada, cerca de 45 minutos e várias paragens, mas por um preço muito simpático de €.1,70.
Nota: Se forem dois passageiros podem comprar 1 bilhete com duas viagens e pagam apenas €. 3,00 pelos dois.
Nós optamos pela Linha 1 da TBM, porque é bem mais barato. Os autocarros são confortáveis, a paragem é em frente ao terminal de saída do aeroporto e o bilhete pode ser adquirido nas máquinas ou junto ao motorista.
Gastronomia – O vinho, a proximidade ao Oceano e ao estuário de Arcachon e a influência do Périgord, faz com que Bordéus seja rica gastronomicamente, sendo a cidade francesa que tem mais restaurantes por habitante.
Cafés, Bistrós, Brasseries, Patisseries, Boulangeries, Boutiques de queijos e enchidos, mercados cobertos e de rua, espalham-se pela cidade.
É impossível não provar o foie gras, entrecôte à la Bordelaise, pato ou ganso confitado, cogumelos, trufas, as famosas ostras, os queijos, os vinhos e os Canelés, o doce típico feito à base de gemas, manteiga, leite e uma calda de rum e baunilha e que deve o seu nome às formas caneladas onde são confecionados.
A origem dos Canelés está ligada como não poderia deixar de ser ao vinho, uma vez que era necessário uma grande quantidade de claras de ovos, para clarificar o vinho nas barricas e as gemas não tinham qualquer utilidade, pelo que eram doadas às freiras para que estas fizessem bolos e distribuíssem pelos pobres.
Onde Comemos:
Chez Jean Mi no Marché du Capuchians, comemos Ostras de Arcachon e outros frutos do mar, além de uma sopa de peixe deliciosa.
Mercado de Bacalan, aqui optamos por um restaurante espanhol, a Gatroteka bar tapas.
Cassonade é aqui que se vendem os melhores Canelés, também provamos os das lojas Baillardran, mas estes superaram.
Books and Coffee quando quiserem fazer uma paragem, bebemos apenas um capuchino, mas vimos pastelaria de ir ao céu.
Bar à Vin ou a Ecole du vin se querem provar um vinho delicioso, receber conselhos sobre uma denominação ou safra ou se pretendem simplesmente desfrutar de um copo de vinho da região não percam esta experiência. O local é maravilhoso, com uma decoração toda dedicada ao vinho e a Baco. Com uma carta de vinhos muito bem concebida, tem copos de vinho excelentes que vão desde os €3,50 aos €. 10,00 e para os acompanhar existem as tábuas de enchidos e queijos.
Atenção: vão antes das 19:00, porque todos os dias há fila à porta e não se esqueçam que ao Domingo está encerrado.

Onde Dormimos: Optamos por um apartamento “Le Chic” reservado no Airbnb. Ficava numa rua lateral à Catedral e perto das paragens de tram e bus. Além de muito bem localizado, a cozinha estava completamente equipada e permitiu-nos confecionar um dos nossos jantares e o pequeno almoço. Foi também possível deixar as mochilas de manhã cedo, uma vez que o check in é só às 16h00.
Como nos locomovemos na cidade: a cidade é plana, o que permite andar a pé, mas por vezes as distâncias podem ser grandes. Nós optamos por comprar um bilhete para o TBM para 24 horas, que custa €. 5,00, e permite durante esse tempo viajar no Bus, Tram e Bat (barcos).
Outra alternativa é comprar o Bordéus City Pass que além de permitir as viagens em todos os transportes públicos e ainda dá entradas gratuitas para os museus, incluindo la Cité du Vin, embora tenham de entrar até as 12 horas.
Roteiro para um fim de semana inesquecível em Bordéus:



Começamos pelo Bairro Saint Michael, onde fica o Mercado dos Capuchins, de manhã é ali que se sente o pulso da cidade. Mas para chegar até este bairro passamos pela primeira porta arco, uma das quadro existentes na cidade, a Porta da Aquitânia. Aqui deixamos a cidade velha, e vamos para um dos bairros “fora de portas”. Este é a residência de estudantes claro, porque é aqui que se localiza a universidade, mas também de emigrantes. Ao caminhamos pelas suas ruas podemos sentir o aroma das especiarias e ouvir idiomas distantes do francês.

O mercado, a nossa primeira paragem, vende de tudo, carne, peixe, frutos do mar, legumes e frutas, ervas aromáticas e queijos, pão e pastelaria. Se ver estas iguarias lhes der fome, existem um sem número de locais para a saciar. Quiosques de comida marroquina, argelina, frutos do mar, espanhola, portuguesa, são alguns dos exemplos do por lá podem encontrar. Foi aqui que fizemos a nossa primeira refeição na cidade.
Ainda no Bairro de Saint Michael e de barriga cheia, caminhamos pela ruas que nos levam à Praça Meynard, por esta hora já o Marché Royal, o mercado de frescos ao ar livre está a arrumar as bancas.
Na Praça, as esplanadas estão cheias de gente que almoça, petisca ou bebe, cervejas, vinhos ou chá de hortelã.

A Basílica de Saint Michael e a Torre sineira La Fleché, ocupam grande parte desta praça. A espiral da torre sobressai no horizonte. Basílica desde 1903, foi integrada na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1998 e é um dos pontos do Caminho de Santiago de Compostela. Os seus vitrais são impressionantes e velem por si só a visita.

A entrada na Basílica é gratuita, assim como em todas as igrejas em Bordéus.
A torre sineira foi construída no século XV e atinge 114 metros, sendo a torre mais alta do sul da França e seria um excelente sitio para apreciar as vistas da cidade não estivesse em obras de remodelação até 2026.



Caminhando pelas ruas deste bairro multicultural sentimos cheiros de outras paragens. Emigrantes com origens diversas, como Argélia, Índia ou Senegal, contribuem para esta mescla.
Chegamos à Port Bourgogne, outra das quatro portas arco de entrada para a cidade velha.

Esta foi construída em 1757, de costas para a Ponte de Pedra, dá entrada para a Rúe Victor Hugo que separa o Antigo Bairro de St. Pierre do Bairro de St. Michael.
Foi por esta porta que Napoleão Bonaparte, entrou na cidade quando se deslocava para Espanha, para levar a cabo a invasão francesa de Portugal.
Daqui já se vislumbra o Rio Garonne e a primeira ponte da cidade, a Ponte de Pedra, construída em 1812 a mando de Napoleão. Os 17 arcos da ponte não são por um acaso, uma vez que são o mesmo número das letras do nome de Napoleão Bonaparte.

A poucos metros está à Porta de Cailhau do século XV, esta e uma das duas portas medievais existentes na cidade e faz parte da antiga muralha defensiva . Por debaixo do seu arco já passaram várias personagens, inclusive os reis de França.

Chegamos à Praça Saint-Pierre e à sua igreja homónima. Tambem aqui as esplanadas estão repletas.

O dia está solarengo e nós decidimos fazer como os locais, vir até à beira rio, a Quais de Bordeaux e apanhar sol. Nas nossas costas está a Praça de la Bourse e os seus imponentes edifícios, a câmara de comercio e industria e o museu dos Costumes.

O Espelho de Água que por esta altura do ano está vazio ( só tem água de abril a outubro), permite repouso a quem quer descansar as pernas ou apanhar um pouco de sol.
Já recompostos caminhamos até à Praça de la Comédie, casa do Grande Teatro de Bordéus, do Grande Hotel e da Escultura Sanna de Jaume Plensa.

É desta praça que se iniciam os Walking Tour. Esta é, em nossa opinião, uma das melhores maneiras de iniciar uma visita às cidades e sempre que temos oportunidade fazemos um. Recomentamos este da Guruwalk https://www.guruwalk.com/es/burdeos?ref=f58ai80d4ym4i60l41ym&pro=true que pode ter guia espanhol ou inglês. Nós tivemos a sorte de fazer o passeio com a Pamela, uma estudante colombiana, apaixonada por história e arte e apreendemos imenso sobre a cidade, além de termos tido excelentes dicas.
A melhor dica, aliás, situa-se nesta mesma praça e por esse motivo voltaremos a ela mais tarde.
Mas por agora vamo-nos perder pelo Triangle D´Or, zona cultural de grande riqueza e o bairro mais nobre de Bordéus. Encontra-se a norte da Rue Sainte-Catherine, a de maior extensão da cidade, sendo o Triangulo formado pelos Les Cours de l’ Intendance, Les Cours Georges Clemenceau e as Allées de Tourny.
Por aqui fica mais uma porta de arco a Port Dijeaux.

Deambulámos pelas ruas e praças da cidade até chegar à Catedral Saint André, o Santo padroeiro. Com entrada gratuita, a sua construção data do Século XI e a Torre Sineira Pey Berland, do seculo XV, construída em separado da catedral porque se receava que a torre com o peso dos sinos se afundasse nos solos argilosos de Bordéus e levasse consigo a catedral. No topo dos seus 66 metros está a estátua de Notre-Dame d’Aquitaine e abaixo os três sinos.
Uma subida “curta” de 231 degraus levam-nos a uma das melhores vistas da cidade. Um bilhete para a torre sineira é de 6 euros e gratuito para pessoas com menos de 26 anos de idade.



Aqui chegados não podemos perder o edifício da Camara Municipal ou Hotel de Ville, albergado no Palacio Rohan.

Vamos caminhando até à segunda Porta medieval da cidade La Grosse Cloche ( o sino Grande) uma torre sineira, porta de entrada para a cidade velha é um dos símbolos mais proeminentes de Bordéus, embora tenha sido construído para ser porta de entrada, já funcionou como prisão.

A Rua de Saint James é para nós a mais pitoresca de Bordéus, repleta de cafés e lojas de “babar”, foi por aqui quase colados a La Grosse Cloche que compramos os melhores Canelés, no Cassonade. Ainda paramos no Books & Coffee.

Mais a baixo temos a Praça Fernand Lafargue que há bastante tempo costumava albergar o mercado da cidade. A Rue Sainte-Catherine a mais longa rua pedonal de França, está repleta de boutiques e cafés. Se formos para a esquerda, na direção da Place de la Victoire, encontramos principalmente lojas de roupas baratas e uma enorme variedade de fast food. Se optarmos por ir para a direita, encontramos todas as grandes cadeias como a Mango, H&M, Fnac.
Paramos ainda na Place Camille Julian para entrar no cinema Utopia que ocupa o interior da antiga igreja de Saint Siméon.

O sol vai baixando e nós voltamos ao Quais de Bordeaux para ver o pôr do sol, dali voltamos à Praça de la Comédie, para ir até à Ecole do Vin, o sitio ideal para desfrutar de um vinho de excelência, bons petiscos e fantástico ambiente.


No segundo dia, a programação estava toda virada para La Cité du Vin, o maior museu sobre vinho do mundo, totalmente didático e interativo.
Situado numa zona mais afastada da cidade, para lá chegar, se não quiserem caminhar cerca de 25 minutos, é necessário apanhar o tram, mas também se pode ali chegar de Bus ou Bat.
O edifício da autoria dos arquitetos Anouk Legendre e Nicolas Desmazières simboliza as voltas que o vinho faz quando despejado no copo e devido à sua arrojada arquitetura é muitas vezes equiparado ao Guggenheim de Bilbao.

No edifício é possível visitar a cave do bar Latitude 20, onde estão cerca de 14.000 garrafas de vinho de 80 países diferentes.
Mas é no segundo andar que tudo acontece, a exposição permanente é acompanhada por audioguia e aqui é possível conhecer melhor o processo de produção do Vinho, desde a plantação, às diversas Castas, os aromas e sabores, a forma como se produz, se conserva e se serve.




No nosso caso foram 4 horas de visita, que terminou no terraço Belvedere, com uma vista sublime sobre a cidade e um copo de vinho à escolha dentro dos disponíveis.

Curiosidade: O edifício era para ser quadrado, mas os arquitetos mudaram de ideias depois de beberem um vinho de Pomerol de 2009, “um vinho redondo e sem costuras”, dai nasceram as suas curvas.
Daqui avistamos a cidade, mas é a ponte Jaques Chaban – Delmos que nos chama mais a atenção com o seu tramo central elevatório para a passagem de navios de grande porte.

Terminada a visita, entramos no Halles de Bacalan, estava pelas costuras, mas lá conseguimos uma mesa e por ali ficamos entre umas cervejas e tapas.


Regressamos ao centro da cidade pelo rio, apanhando o BAT que pára mesmo ao lado da Cité do Vin, uma forma barata de fazer um cruzeiro pelo rio e ver a cidade de outro angulo, pena foi o tempo não estar como no dia anterior, estava encoberto e sem cor, mas valeu a experiencia.

Ficou imenso para ver e fazer, mas a nossa estadia nesta cidade maravilhosa estava a chegar ao fim, os dias seguintes seriam passados fora da cidade. Mas essa é outra aventura.



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