
O que fazer em Phnom Penh? Quantos dias ficar? Vale a pena incluir a capital no roteiro pelo Camboja?
Phnom Penh com cerca de 2 milhões de habitantes, é a cidade mais populosa do Camboja e embora não possa ser comparada com outras grandes capitais da Ásia, é uma cidade que tenta ser bonita e que está em constante remodelação, com construções novas por todo o canto.
A cidade possui uma historia rica e dura como vamos contar, mas é ainda autentica e muito barata.

A grande maioria dos visitantes chega a Phnom Penh apenas com o intuito de ir para Siem Reap, a cidade base para visitar os templos de Angkor e não dão muita importância à capital.
Muitos nem sequer uma noite ali passam, servindo a cidade apenas de ponto de passagem. Porém, pensamos que vale a pena dedicar-lhe um dia, pelo menos, dois dias, se possível.
Historia de Phnom Penh
A cidade tornou-se capital do Camboja entre 1432 e 1505, logo após caírem Angkor e Lovek, então capitais do Império Khmer. Durante este período foi por diversas vezes ocupada e saqueada pelos tailandeses.
Na década de 20 do século passado, Phnom Penh, que naquela altura fazia parte da Indochina Francesa, foi considerada uma das cidades mais bonitas da região e ficou conhecida como a ‘Pérola da Ásia’.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi ocupada pelos Japoneses e também sofreu os efeitos da Guerra do Vietname.
Mas foi durante os anos 70, que Phnom Penh viu manchada a sua história, com os horrores da ditadura que tomou conta do país por quatro anos, entre 1975 e 1979.
O Kanpuchea Democrático, um ramo do Khmer Vermelho e Pol Pot, conhecido como o ditador Cambojano, submeteram o pais a um processo radical de reforma social, com o objetivo de criar uma sociedade puramente rural.
Para tal deportaram os moradores das cidades para os campos, onde eram obrigados a trabalhar nas fazendas coletivas, sob tortura, fome e em situação de extrema pobreza, foram fechados hospitais, escolas, bibliotecas e mosteiros e foi abolida a propriedade privada e os salários.
Os principais visados eram os intelectuais, a elite educacional e os estrangeiros. Durante esse período foram encerradas as fronteiras e as embaixadas estrangeiras no país.
Estima-se que durante essa época morreram cerca de 2 milhões de habitantes à fome, alvo de tortura ou assassinados.
Foi aliás por causa do enorme volume de assassinatos levados a cabo na comunidade vietnamita residente no pais, que o exercito vietnamita o invadiu e libertou do jugo de Pol Pot.
Resumindo o Camboja foi palco de um dos maiores genocídios do mundo.
Na atual Phnom Penh a vida acontece nas ruas, o trânsito caótico com centenas de motociclos e tuk-tuks, nos passeios tudo acontece, são totalmente ocupados por vendedores e reparadores de todo o tipo de materiais, há roupa a secar, venda de fruta e reparação de pneus, tudo lado a lado.

“Em Phnom Penh ninguém anda a pé”, diziam os locais. Por esse motivo os passeios não são necessários e as passadeiras (as poucas visíveis) para nada servem, porque os veículos não param. Aliás os motociclos não param nos sinais vermelhos, apenas abrandam, por isso CUIDADO.
Não é efetivamente uma cidade fácil para caminhar, pela falta de passeios, pelo imenso transito e a ignorância dos peões por parte dos condutores, mas especialmente pelo forte calor que se sente durante o dia e pelos preços tão baixos dos tuk-tuks – cerca de US$1 por quilometro.
É uma cidade com falta de estrutura, alguns locais pouco iluminados e/ou pouco limpos, mas com um povo simples, esforçado para agradar e de sorriso fácil.
Não nos sentimos inseguros em nenhum momento, mas lemos que deveríamos de ter cuidado com as câmaras e mochila, porque há furtos perpetuados por motociclistas.
Mas e afinal, o que é que se faz Phnom Penh em dois dias?
Roteiro de Phom Penh

Chegamos cedo à capital do Camboja, vindos de Bangkok.
Do aeroporto ao centro da cidade, onde estava o nosso hotel, foram cerca de 30 minutos de tuk-tuk e pagamos US$9.
Depois de instalados e do pequeno almoço tomado iniciamos o nosso roteiro.
MUSEU DO GENOCÍDIO TUOL SLENG

Começamos pela parte mais difícil.
A visita é pesada, emocionalmente falando. É duro acreditar que tão recentemente foram praticados atos tão cruéis.
O Museu Tuol Sleng situa-se uma antiga escola secundária, que foi transformada na prisão S-21 durante o governo de Pol Pot, poucos meses depois de o Khmer Vermelho se ter instalado em Phnom Penh.
O que restam das salas de aula, onde em tempos se ouviram os risos sinceros das crianças e adolescentes, exibem hoje as celas de uma prisão, onde a única forma de saída era morto.

Há relatos de tortura e assassinato contínuos e centenas de fotografias dos prisioneiros nas paredes. Todas as atrocidades, as falsas confissões e as imagens dos corpos das vitimas, eram registadas, fotografadas e catalogadas.

Os quatro edifícios que compõem o liceu foram conservados como ficaram, inclusive, mantem o arame farpado que os revestia e que impedia os prisioneiros das tentativas de fuga ou suicídio.
Cerca de 20.000 pessoas passaram pela S-21 e foram aqui executadas e estima-se que apenas 12 pessoas sobreviveram nesta prisão.

A visita ao Museu Tuol Sleng não é agradável, mas é essencial para perceber a história recente do pais e para termos consciência daquilo que um ser humano pode fazer a outro.
A entrada custou US$ 5 e o museu fica aberto todos os dias das 8h às 11h e das 14h às 17h (cuidado que os horários podem variar, nós fomos depois da reabertura do país, no pós covid, em abril de 2022).
Saímos de lá transtornados e decididos em não visitar CHUEUNG EK – O CAMPO DE EXTERMINIO, era demais para nós.
Estávamos tão perturbados, que apesar do calor decidimos caminhar até ao Monumento da Independência, para desanuviar a cabeça. No caminho aproveitamos e marcamos mesa para o jantar no restaurante Malis.
MONUMENTO DA INDEPENDENCIA

O monumento no centro da praça que liga as avenidas Norodom e Sihanouk simboliza a torre central de Angkor Wat. Foi construído em 1958, para comemorar a independência do Camboja do colonialismo da França que ocorreu em 1953.
Esta praça é muito bela ao anoitecer, primeiro com o sol que se esconde quase por trás dela e depois com a iluminação.
Daqui continuamos pelo Parque Neak Banh Teuk até chegar ao Memorial Norodom Sihanouk, construído em 2013, em honra de Norodom Sihanouk o anterior rei do país, falecido em 2012 e pai do atual.

Neste parque que se estende praticamente até ao rio Mekong, vê-se ao final do dia, quando o calor acalma e o trabalho termina, os cambojanos a exercitarem-se individualmente ou em aulas de grupo, alguns fazem picnics e os pais trazem as crianças para brincar.
Daqui até à beira do rio é um saltinho e é muito agradável caminhar pela larga calçada junto ao rio, o famoso Riverside.

Daqui apanhamos um tuk-tuk para o restaurante MALIS, este foi o jantar mais caro da nossa viagem, mas um autentico regalo para os sentidos e para o estomago.

Localizado no coração da cidade, este restaurante tem um jardim tropical onde é servido o jantar, o que também pode ocorrer numa das muitas salas que o compõem.
A nossa mesa reservada com antecedência, foi colocada no jardim junto das fontes de água. A comida tipicamente cambojana, da culinária Khmer, foi cuidadosamente servida.
Iniciado com um cover típico e uma bebida de boas vindas, seguiram-se vários pratos incluindo as famosas Amok Fish, umas enormes e fantásticas almondegas de peixe e terminou com um Cambodian Ice cream.

Os Cambojanos jantam cedo, por volta da 18:30/19:00 horas, por isso, não marquem mesa para muito tarde.
Neste dia terminamos por ali. regressamos ao hotel para descansar, o calor intenso, a viagem desde Bangkok e as emoções deixaram-nos exaustos.
No segundo dia fomos surpreendidos com o facto do Palácio Real estar fechado por tempo indeterminado, devido ao Covid informaram uns e outros afirmavam que era por causa das obras existentes no palácio. Não sabemos a razão, mas lemos que por vezes a família real decide encerrar o espaço sem qualquer motivo aparente.
O Palácio Real é a principal atração da cidade, ficamos desiludidos, mas nada poderíamos fazer a não ser tirar umas fotos do lado de fora e ficar a babar de vontade de o visitar.
Para refazer os planos fomos ao Coffee Today, mesmo em frente do Palácio, a um daqueles cafés de investimento estrangeiro muito bonitos, ar condicionado e um café enorme com gelo, fantástico por apenas US$1,5.

Ali resolvemos ir ao Museu Nacional, mas percebemos que este fecha entre 11:30 e as 13:30, é que, se os Cambojanos jantam cedo, claro que tambem almoçam cedo, por volta das 11:30.
Resolvemos por isso, deixar a visita para mais tarde e ir até ao Mosteiro Wat Ounalom, que fica a uma curta caminhada do Palácio Real.
MOSTEIRO WAT OUNALOM

A origem de Wat Ounalom remonta a 1443, quando o rei Ponhea Yat decidiu construir um templo com o fim de albergar a relíquia de Buda (um fio sagrado da sobrancelha de Buda) trazida por monges após uma peregrinação através do atual Mianmar.
Em honra desta relíquia, o rei decidiu que ela deveria ser guardada pelo monge budista supremo e para isso mandou construir o templo e um mosteiro, que ao longo da sua história serviu também, como um centro de desenvolvimento do budismo no país. Até hoje, o mosteiro continua a manter sua importância na formação de monges, hospedando mais de 500 novatos.


Durante os anos do terror do Khmer Vermelho, o templo foi seriamente danificado e a maioria dos monges foram mortos, incluindo Samdech Huot Tat, o Quarto Patriarca, que morreu após as terríveis torturas que sofreu ás mãos do ditador. Hoje ele é homenageado com uma grande escultura existente no local.

Além do pagode principal, o canto mais importante do complexo é a grande pedra do estilo Angkoraino, dentro da qual a famosa relíquia de Buda está alojada.
A visita a este mosteiro é gratuita e pode ser efetuada das 6:00 as 18:00 horas, mas atenção com o vestuário, pois trata-se de um local sagrado e deve-se evitar blusas de alças e calções ou saias custas.
MONGKOL SEREI KIEN KHLEANG PAGODA ou GOLDEN TEMPLE

Chegamos a este templo por sugestão local, é um sitio pouco turístico (vimos um casal acompanhado por um guia), mas de uma beleza estonteante.
O Templo Dourado é um dos templos mais ostensivos, vistosos e exagerados que encontramos.
Eles não pouparam a tinta dourada e num dia ensolarado, toda a estrutura do templo deslumbra e reflete com a luz do sol.
O interior do grande salão também é bastante impressionante, com grandes estátuas de ouro e murais coloridos do chão ao teto retratando a vida do Buda.

Saindo do salão principal pela porta leste, alcança-se um grande terraço com uma série de pequenos altares, se continuar-mos, encontramos a incrivelmente ornamentada escadaria dourada que nos conduz até ao rio Mekong e proporciona um passeio agradável e refrescante nas horas de maior calor.

Os terrenos circundantes, oferecem um agradável oásis à agitação e ao barulho da cidade.

Para chegar a este local é necessário apanhar um tuk-tuk e passar a ponte japonesa para o outro lado do Rio Mekong, o percurso demora cerca de 20 minutos (mas se for na hora de ponta pode levar muito mais) .


MUSEU NACIONAL DO CAMBOJA

Alberga uma das maiores coleções de arte da cultura Khmer, com cerca de 14 mil peças em exposição, por lá estão objetos do Império Khmer , como esculturas, cerâmicas, artesanato, pedras e madeiras – tudo em perfeito estado e protegido por vidros.


O edifício do museu foi inaugurado em 1920, num prédio especialmente construído para ele.
O complexo de edifícios com os seus telhados pontiagudos são lindíssimos. O pátio interno é uma atração por si só. As fotografias só são permitidas no exterior.
A entrada é cara custa US$ 10 e o museu funciona todos os dias das 8h às 11:30 e das 13:30 às 17h (entrada até as 16h30).


MERCADO CENTRAL

O Mercado Central Phsar Thmei está instalado num magnifico edifício, de estilo Art Déco, construído pelos franceses em 1937.
Possui 4 grandes galerias, as quais iniciam numa cúpula central com cerca de 26 metros de altura.
No mercado, que já foi o maior da Ásia, pode-se encontrar de tudo: cartões postais, roupas, joias, artesanato, souvenirs, entre outros.
Ao redor encontramos as coloridas bancas de mariscos, peixes e frutas.

Pode-se tomar um sumo e experimentar alguma comida típica do Camboja.



Seguimos daqui para o Russian Market, mas sinceramente, não nos identificamos com aquele local sujo e desorganizado, por isso resolvemos rumar ao nosso hotel e terminar o dia na piscina e spa do rooftop com um drink a contemplar as vistas até que o sol adormecesse no horizonte.

Para jantar nesse dia optamos pelo Sonanna II um restaurante bastante frequentado por locais. A comida era boa mas as doses pequenas para o preço cobrado. E ainda deu tempo para ir tomar uma cerveja artesanal ao Botanico Wine and Beer Garden.


Iriamos regressar uns dias mais tarde à capital, para apanhar o voo de regresso para Bangkok e dessa vez optamos por jantar no Oyster House, situado mesmo no final do parque Neak Banh Teuk, o sitio é apenas frequentado por cambojanos e serve exclusivamente mariscos, fartamo-nos de comer e pagamos os dois, com as cervejas incluídas US$30.

Dicas:
Para se deslocar – Quando chegar ao aeroporto compre um cartão SIM (nós compramos da Metfone) e instale a app da Grab, uma plataforma semelhante à Uber e à Bolt, mas que funciona na Ásia ou a PassApp, que apenas funciona no Camboja. As viagens são muito mais baratas do que apanhar um táxi na rua e regatear o preço.

Beber – ALERTA os Cambojanos (e outros asiáticos também) bebem a cerveja com gelo, por isso em restaurantes apenas frequentados por locais é certo que não há cerveja fresca, peça um balde com gelo e coloque as mesmas lá dentro, eles vão ficar surpresos.
Clima – Nós fomos em abril (deve ser o mês mais quente no Camboja) o calor è insuportável das 10:30 as 14:00 por isso aproveite o ar condicionado ou uma sombra.
Alojamento– Optamos pelo HM Grand Central Hotel, bem localizado, com um serviço muito simpático e pequeno almoço incluído. Na cidade há muita opção e para todos os bolsos. Achamos importante o hotel ter piscina porque o calor é mesmo insuportável.

Comida – Vá ao Malis, o serviço e a comida são de excelência e embora o preço seja mais salgado, não é assim tão caro para o nosso padrão. Vá ao Oyster House, comer marisco com os locais, a comida é o ambiente são fantásticos. Almoce e jante cedo para usufruir de um ambiente mais autentico.

Vá a Phnom Penh, vai ver que não se arrepende.



6 Responses
Imagens, comidas, cultura, iguarias e muito mais. Verdadeiro show.
Parabéns pelo Blog.
Vou divulgar
Obrigada.
Tão bom que gostaste.
Partilha, assim é possível inspirar mais viajantes.
Várias vezes tive para viajar para o Cambodja e por uma razão ou outra nunca aconteceu. Embora esta seja só a descrição da primeira parte de uma viagem que deve ter sido fantástica.já se tornou num valente e bem dado “empurrão “ que me fará viajar até este país encantador . Só nos resta esperar para ver como se desenvolve e acaba está viagem. Muitos parabéns pelos textos , pelas descrições fantásticas e pelas excelentes dicas :
Obrigada. Fico de Coração cheio com estes elogios. Está quase pronto o próximo artigo.