ALTO ALENTEJO UM DOS NOSSOS GRANDES AMORES

Quando os dias ficam maiores e as temperaturas pedem atividade ao ar livre, gostamos sempre de nos refugiar no Alto Alentejo.

 A região é magnifica, rica na gastronomia e acolhe-nos sempre bem.

Quaisquer três dias dão para uma escapada rápida pelo Alto Alentejo e dão para fazer caminhadas como as que fizemos e que deixamos os artigos disponíveis Pelo Trilho das Jans e os novissimos Passadiços do Trilho da Barca dAmieira e o CAMINHANDO NO TRILHO DA MINA DE OURO ROMANA, ou outros assinalados na região à beira rio ou mais no interior.

A primavera e a época da Páscoa que se avizinha são excelentes para estas escapadelas.

Na nossa aventura aliamos as caminhadas, que tanto gostamos à exploração de alguns locais onde nunca havíamos estado ou simplesmente regressar àqueles que outrora nos haviam encantado. Assim começamos a nossa “fuga” por voltar a Alpalhão, para irmos jantar ao Restaurante Regata, de onde saímos sempre felizes.

Por aqui, come-se sempre bem, se lá forem não deixem de provar a Sopa de Tomate à alentejana, o javali estufado e a sericaia. Acabamos sempre com o licor de Folha de Figueira, que gentilmente nos oferecem. Somos fans de boa comida e bebida e voltamos sempre que pudemos ao Regata.

Para dormir optamos pela Pensão Destino, um alojamento local, que explora a antiga Estação Ferroviária de Castelo de Vide, no já desativado Ramal de Cáceres e inserida no Parque Natural da Serra de São Mamede.

A estação datada do final do século XIX, foi levada a cabo pela Companhia Real dos Comboios de Caminho de Ferro Portugueses.

A nossa anfitriã, Ana Patrício, remodelou e adaptou a estação a alojamento local, em total sintonia com o valor histórico artístico e arquitetónico do edifício, que estava votado ao abandono, trazendo assim, oportunidade a quem queira de desfrutar deste local magnifico.

A intenção era renascer o conceito da antiga pensão portuguesa, mas o conforto não foi esquecido. O alojamento possui tudo o que é necessário, quartos confortáveis, casas de banho privativas, wifi e ar condicionado.

A sala e a cozinha são partilhadas e é sempre possível sentar no terraço e aproveitar a vista.       

O terraço voltado para as linhas desativadas é perfeito para relaxar, ler, conversar, observar a natureza ou simplesmente ouvir os sons que nos rodeiam. O jardim de rosas antigas chegou a ser galardoado no concurso das Estações Floridas da CP, em 1948 e há ainda o cais coberto, onde de vez em quando, são organizados uns eventos (antes da pandemia, claro, porque nada ainda voltou totalmente ao normal).       

A partir daqui visitamos Nisa, e o que resta das muralhas do castelo, a porta da Vila e do Montalvão, passeamos no seu jardim com a Canteirinha de Nisa devidamente representada.        

Sabem que no edifício do Cineteatro é possível ver gratuitamente uma das “valquírias” da artista plástica Joana Vasconcelos que esteve exposta no palácio de Versalhes e foi executada com inspiração no artesanato de Nisa? Infelizmente quando fomos o edifício estava encerrado por conta do Covid.

Claro que não saímos de Nisa sem o seu precioso queijinho.

Na primeira noite optamos por jantar no Restaurante O Miguel em Castelo de Vide, onde comemos o famoso Cabrito de Cachafrito, um prato de origem judaico-cristã, que consiste numa porção de carne cortada em pedaços temperada e levemente fervida que se conserva em banha, antes de ser frita.

Segundo lemos este prato foi criado para conservar a carne quando era muita. Adoramos e vamos repetir.

No segundo dia queríamos (pensávamos nós) dar descanso às pernas, e fomos para a Estação Ferroviária de Beirã – Marvão, direitinhos ao Rail Bike Marvão.

Se a Estação de Castelo de Vide vos encantar, não podem deixar de visitar a Estação fronteiriça de Beirã – Marvão, datada do seculo XIX, classificada como Patrimonio Arquitetónico, tem a sua fachada revestida de painéis azulejares da autoria de Jorge Colaço, alusivos a alguns locais de Marvão e a monumentos nacionais.

Como era a última estação ferroviária portuguesa possuía serviço aduaneiro, restaurante e alojamento para passageiros.

O edifício do restaurante alberga hoje o Train Spot Guesthouse e no Cais coberto, onde se situa o café bar, está a base de operações da Rail Bike Marvão.

Nós marcamos o percurso mais curto “a Ponte” onde se percorre 15 Km, em cerca de 2 horas, pedalando pelos carris desativados. Pelo caminho deslumbramo-nos com a imensa paisagem, desfrutamos das explicações que os nossos anfitriões nos proporcionaram e tivemos oportunidade de avistar raposas, cegonhas e casas pré-históricas. Mas o melhor é quando nos aproximamos da ponte datada de 1930 e a atravessamos. São 30 metros de altura, não dá para olhar para baixo.

Já do outro lado da ponte lanchamos e relaxamos para apreciar a paisagem, antes do regresso (agora sempre a descer, que as pernas bem precisavam).

Quando terminamos estávamos famintos, por isso fomos direitinhos ao Sever, em Portagem a cerca de 5 km do Marvão.

Ali junto ao Rio Sever, que nasce no ponto mais alto da Serra de São Mamede, deleitamo-nos com tordos, boletos e bochechas de Porco Preto, tudo regado com vinho Rui Reguinga um famoso enólogo da região.

Satisfeitos descemos às margens do Rio Sever, daqui avista-se a cidadela do Marvão, soberana no topo da colina.

Atravessamos a ponte Romana (que afinal é medieval uma vez que a atual foi construída com os restos da ponte Romana) e avistamos a torre, ambas faziam parte do sistema de portagem, datado dos séculos XII e XIV. Reza a história que os Judeus fugidos das perseguições dos Reis Católicos na vizinha Espanha atravessavam por aqui e claro eram taxados.  

A Praia fluvial e a piscina convidam ao regresso, quando as temperaturas forem mais elevadas, mas por agora seguimos para Marvão, Vila raiana a 860 metros acima do nível do mar, foi construída em cima de rocha de puro granito e fundada por um muçulmano Ibn Marwan, de quem herdou o nome. Conquistada no seculo XII tornou-se numa fortaleza inexpugnável.

A entrada na Vila fazia-se por três portas: a da Vila, Rodão ou pelo Postigo do Torrejão. Nós entramos pela Porta de Rodão e perdemo-nos pelas suas ruas brancas em direção ao Castelo e deliciamo-nos com as paisagens de perder de vista.

Depois sem pressas percorremos a vila, passando pela igreja de S. Tiago, onde ficamos à conversa com a presidente da Junta de Freguesia, pela Cisterna, a igreja de Santa Maria, a casa da Cultura e a Torre do Relógio, a praça do pelourinho manuelino e por fim ficamos no Largo de Olivença, sentados na esplanada a apreciar o sol a querer descer.

Já de regresso a Castelo de Vide passamos por aquela que dizem ser a estrada mais bonita de Portugal a EN 246-1 na parte da Alameda dos Freixos centenários.

Ainda havia tempo para uma visita a Castelo de Vide, a vila amuralhada, conhecida como a Sintra do Alentejo.

Terra de grandes personagens como Moutinho da Silveira, Garcia d´Orta e Salgueiro Maia, possui uma das mais bem conservadas judiarias do país. Aqui viveram judeus que se convertiam em cristãos após a expulsão de Espanha.  

Começamos junto do edifício dos paços do concelho, visitamos a Igreja Matriz de Sta. Maria da Devesa. De guarda à praça está a imponente estatua de D. Pedro V. Depois, deixamo-nos perder pelas ruas de casario branco com as suas Portas Ogivais do sec. XIV e XV.

Subimos ao castelo e visitamos a cidadela e voltamos a descer pela Judiaria passando pela antiga Sinagoga e pela Fonte da Vida.

Já era tarde, mas ainda havia tempo para passar na Casa de Chá Belmira e comprar umas Boleimas de Maçã.

No terceiro dia depois da caminhada terminada resolvemos ir jantar à Confraria, um belo restaurante de produtos típicos no centro de Castelo de Vide. Findo o jantar visitamos uma vez mais a Fonte da Vida, caminhamos pela Vila agora coberta pelo negrume da noite e demos por finda a nossa fuga de primavera.        

Dicas úteis

Localização: Portalegre – Alto Alentejo

Percurso: Niza, Alpalhão, Castelo de Vide, Marvão e Portagem   

Tempo despendido:  3 dias completos (mais meio-dia para as viagens)

Atividades realizadas;

  • Trilho das Jans – 11 Kms   – circular -inicia e termina no Largo do Castelo da Amieira do Tejo) – Algo difícil
  • Trilho da Barca d´Amieira – 3,6 km ( 7,2 km ida e volta) –  linear – inicia na Barragem do Fratel ou na Barca d´Amieira- fácil.
  • PR9 NIS Trilho da Mina de Ouro do Conhal – 8,5 Kms   – circular -inicia e termina no Arneiro  – Fácil  
  • Rail Bike Marvão – 15 Km (percurso A Ponte)

Melhor época para Visitar: Nós fomos na Primavera. Penso que o Outono também deve ser fantástico, mas o Verão é muito quente na região e o frio é imenso no Inverno.

Onde. Dormimos: Pensão Destino – Castelo de Vide

Onde comemos:   A Regata – Alpalhão

O Miguel – Castelo de Vide

O Sever – Portagem

A Confraria – Castelo de Vide        

FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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