Depois de concluídos os Trilhos das Jans e da Barca d´Amieira, as nossas expectativas já não estavam muito em alta. Estávamos ainda deslumbrados pela paisagem que encontramos naqueles trilhos e não íamos à espera do que vimos por estas bandas.
Fizemos uma escapadinha de três dias, em que tínhamos programado dois de caminhada, pelo que, neste segundo dia optamos pelo PR9 NIS – Trilho da Mina de Ouro do Conhal.
O principal motivo na escolha, foi a curiosidade pelo Monumento Natural das Portas de Rodão, um estreitamento do vale do Rio Tejo, que neste ponto, corre por entre duas paredes escarpadas com cerca de 170 metros de altura e que faz lembrar duas portas, uma do lado da Beira Baixa, distrito de Castelo Branco, outra no Alto Alentejo, Nisa, distrito de Portalegre.
O dia de primavera estava quente e por isso saímos cedo. Na mochila levávamos água e lanche (atenção que no Trilho não há como se abastecer).
Este Trilho inicia-se na aldeia do Arneiro, junto da antiga escola primária, que hoje serve de Centro Interpretativo do Conhal.
Lamentavelmente face à pandemia provocada pelo Covid – 19 está encerrado, mas quando tudo voltar ao normal é possível visitar o mesmo gratuitamente no seguinte horário: 4ª a 6ª feira – 9h às 13h e Sábados e Domingos – 9h às 12h30 e das 14h às 17h30. Encerra às 2ª e 3ª feiras e: 25/12, 01/01, 2ª feira a seguir à Páscoa (Feriado Municipal) e dia 01/05.
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É sempre a subir até à Serrinha, o Arneiro vai ficando para trás |
Deixamos o carro estacionado junto à velha escola e logo ali ao lado inicia-se o Trilho, com uma grande subida (a maior) que nos irá levar até ao marco geodésico e à Serrinha a 211 metros acima do nível do mar.
Caminhamos por entre a mata e vegetação que vai recuperando ao seu ritmo dos danos causados pelos últimos fogos florestais. À frente deparamo-nos com uma colónia de Zimbros, cujas bagas tem efeitos medicinais e são fundamentais na produção do Gin.
Mas é ao fim de 2,5 km que ficamos estarrecidos, a paisagem é deslumbrante.
Sentamo-nos no banco ali providencialmente colocado e aceitamos o convite para nos deleitarmos com os sons da natureza e com esta paisagem soberba sobre o Tejo e as Portas de Rodão.
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A vista das Portas de Rodão e do grande lago que o Tejo aqui forma é de tirar o folgo |
Lembramo-nos de ter lido, que o grande lago e a profundidade imediatamente a jusante das portas, serão indícios da existência de uma imponente queda de água que aqui terá existido em tempos e tentamos imagina-la.
No topo da Porta Norte avistamos o Castelo do Rei Wamba, um rei visigodo da Hispania, que reinou entre os anos 672 e 680 e lá em baixo rodeada pelo Tejo, expõem-se a Ilha das Virtudes, com a sua nascente de água termal que em tempos foi bastante apreciada.
Refeitos da imensidão local iniciamos a descida, auxiliados pelos degraus em madeira ali construídos até à Foz da Ribeira do Vale.
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Primeira das Pontes pedonais suspensas que passamos |
Transpomos a Ribeira do Vale pela primeira das pontes suspensas que iremos encontrar e seguimos as setas para a Ilha do Cabecinho. Mais à frente está a outra ponte suspensa, que atravessamos para chegar à área de lazer.
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| E agora a segunda ponte suspensa |
Paramos por aqui para fazer um lanche e apreciar os sons que nos rodeiam desde os balidos das ovelhas ao som do motor de uma embarcação de recreio que serpenteia pelo Tejo.
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Na Ilha do Cabecinho tem uma área de piquenique |
Regressamos então ao caminho, seguindo pelo Trilho dos Burros e avistamos as ovelhas resguardadas em baixo de uma grande árvore para se protegerem do calor forte que se fazia sentir.
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Finalmente encontramos o rebanho |
Mais à frente, passamos por umas ruínas assinaladas como sendo o Abrigo do Pescador e chegamos ao Pego das Portas, onde em tempos existia um cais para as barcas que faziam a travessia entre margens. Hoje está apenas dotado de um pequeno ancoradouro para algumas embarcações de recreio.
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Ancoradouro do Pego das Portas |
Percorremos o ancoradouro e sentamo-nos no fim do mesmo, com os pés descalços no rio, ficamos virados para o Geomonumento e atentos aos voos que se faziam sob as nossas cabeças.
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As Portas de Rodão vistas do Pego das Portas |
É aqui, a maior colónia de Grifosexistente em Portugal. Pode-se ver também cegonhas pretas ou milhafres reais, mas voam tão alto que não podemos assegurar o que são.
Com as forças retemperadas voltamos a subir, desta feita pela estrada de terra batida até à Mina de Ouro Romana do Conhal do Arneiro. Esta mina terá sido contemporânea à mina de ouro de Las Medulas em Espanha.
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| Os montes de seixos rolados de quartzito que formam os conhos |
Daqui consta que os Romanos terão retirado mais de 3 toneladas de ouro, com a aplicação da energia hidráulica. A água utilizada para a lavagem dos sedimentos era transportada através de canais conhecidos como a “Vala dos Mouros” escavados desde a Serra de S. Miguel e da Ribeira de Nisa. Os seixos maiores eram retirados dos canais e empilhados ao longo das margens.
Para a retirada das 3 toneladas de ouro calcula-se que se terá removido 10.000.000 m2 de seixos, o que justifica a vasta paisagem de amontoados de seixos rolados de quartzito, aos quais se dá o nome de conhos.
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| Vista do Castelejo |
Ladeados pelos conhos, subimos ao Castelejo uma pequena elevação no meio do Conhalque se supõe ter sido um posto de vigia para controlar a extração da mina e o tráfego fluvial.
Daqui a vista é impressionante, são quilómetros de seixos amontoados. Mais à frente ainda se avista a represa de água que auxiliava a exploração.
Retomamos à estrada de terra batida e daqui é sempre a subir até à aldeia, ladeados de novas plantações de oliveiras. Pelo caminho ainda temos oportunidade de parar junto de um velho moinho para fazer um segundo lanche.
Já no Arneiro passamos pelos fornos comunitários e voltamos ao centro interpretativo, onde iniciámos o nosso trilho.
Por hoje estava cumprida a missão.
Dicas úteis
Localização: Nisa – Portalegre
Trilho percorrido:
· PR9 NIS Trilho da Mina de Ouro do Conhal – 8,5 Kms – circular -inicia e termina no Arneiro – Fácil (existe o trilho PR4 NIS – Trilhos do Conhal que partilha em parte o mesmo caminho, mas cuja subida à Serra de S. Miguel não nos convenceu desta vez)
A melhor época para fazer o trilho, na nossa opinião, é na Primavera, quando os campos estão floridos ou no Outono, quando as cores pastel tomam conta da paisagem e também quando o calor é menos intenso na região.
Quando for leve bastante água e lanche, pois não existe ao longo do percurso sítio para se abastecer, calçado confortável, chapéu e protetor solar.
Evite ir nos dias de calor intenso e de chuva ou de nevoeiro porque pode ser perigoso e retira a beleza ao local.
E claro, uma vez mais as imagens falam por si



















4 Responses
Paisagens de tirar o fôlego!
O nosso Portugal é lindo!
As margens do Tejo detém paisagens magnificas. São uma excelente opção de passeio.
Paisagens maravilhosas