Fomos à aventura por terras das Jans, as fadas que, segundo a lenda, teciam um linho tão fino e sem nós, que o povo não acreditava ter sido concebido por mãos humanas. As fadas fiavam o fio em troca de um bolo de farinha que se deixava a cozer na lareira. Quando terminavam deixavam a peça tecida e levavam o petisco.
A terra que acolhe esta lenda é Amieira do Tejo, aldeia pequena, com pouco mais de 300 habitantes, mas com séculos de história. Já foi vila, uma das doze da Ordem de Malta.
Por aqui, no Largo do Castelo iniciamos o Trilho das Jans, assinalado como PR1 NIS.
A este, queríamos juntar o novíssimo Trilho da Barca d´Amieira (PR11) e visitar os seus passadiços, Skywalk e Ponte pedonal suspensa. Ao todo seriam 13 Km de beleza singular.
Deixamos o carro na Praça do Castelo (há lugar para estacionar pelo menos oito carros) e atravessamos a vila por entre o seu casario até ao Largo da Junta de Freguesia, dai seguimos por um caminho entre muros, azinheiras e oliveiras.
Rapidamente entramos por campos verdejantes, que nesta altura se encontravam cobertos de flores amarelas e vermelhas.
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| Campos floridos a lembrarem que a primavera chegou |
Pelo caminho vamos nos deixando encantar com os tufos de rosmaninho e com os cogumelos selvagens. E de repente ao fundo, avistamos o Tejoe a Barragem do Fratel.
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| O entorno e a paisagem é algo de cortar a respiração |
Lá em baixo, já se percebem os passadiçosdo Trilho da Barca d´Amieira.
A descida dura, que em tempos foi vertiginosa, hoje, desce-se com o auxílio de degraus de madeira, que não lhe tiram a dificuldade, mas ajudam bastante.
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| O pior troço dos Trilhos, hoje a descida é facilitada por estes degraus de ajudam bastante |
As vistas fazem esquecer de imediato a dureza do caminho.
Chegamos aos passadiços do Trilho da Barca d´Amieira, até aqui foram percorridos 4,8 km.
No ponto onde o Trilho das Jans se junta ao Trilho da Barca D´Amieira podemos escolher para que lado queremos seguir, em direção ao Skywalk ou ao Muro de Sirga.
Como nós queríamos completar o Trilho das Jans, sabíamos que teríamos de efetuar um desvio do Trilho para ir pelos passadiços até à Skywalk (cerca de 1,2Km ida e volta) e depois regressar a este mesmo ponto, para percorrer daqui, de regresso à Amieira do Tejo pelo Muro de Sirga.
Pelos passadiços, que ainda reluzem a novos, encontramos módulos de Birdwatchinge logo à frente, sob a Ribeira de Figueiró, a Ponte Pedonal Suspensa.
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A Ponte Pedonal Suspensa que a par com o Skywalk são as grandes atrações do PR11 NIS |
Daqui, percebemos o principal motivo de instalação dos passadiços, amenizar o revelo do trajeto. Os passadiços vieram dar oportunidade a todos de percorrerem esta paisagem, suavizando um percurso exigente e outrora apto apenas àqueles que estavam em boa forma fisica.
A ponte pedonal suspensa abana um pouco, mas, o eventual receio passa de imediato, com o fascínio pela paisagem.
Continuamos pelos passadiços até ao Skywalk, pelo caminho vamos avistando algumas instalações artísticas. Algumas parecem-nos excessivas e outras fora de contexto, mas ainda assim, não afastam a beleza local.
O Skywalk tem vista privilegiada para o Tejo e para a Barragem do Fratel. Esta, além da sua função para produção de energia elétrica, serve de ligação rodoviária entre as duas margens, ligando a Beira Baixa ao Alto Alentejo.
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| A vista soberba para a Barragem do Fratel |
Depois das fotos da praxe subimos ao ponto mais alto e dai avistamos o curso do rio, na margem oposta desenrola-se a linha ferroviária da Beira Baixa, uma das mais belas de Portugal e abaixo os baloiçosinstamagraveis, que não perderiam nada se tivessem outra cor (aquele lilás doí a vista).
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| A cor é dura para qualquer olhar |
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| Linha da Beira Baixa – uma das mais belas linhas ferroviárias de Portugal |
Atravessamos novamente a ponte pedonal suspensa e regressamos ao Trilho das Jans. Vamos agora percorrer 2,6 km ao longo do muro de sirga. Trata-se de um caminho ao longo do rio que permitia a tração de embarcações através da força de animais e pessoas.
Sirga seria o cabo de sisal utilizado para rebocar os barcos a partir da margem.
Estes muros tiveram muita importância para a navegação do Tejo até ao século XIX e ajudaram a dar assas ao sonho do Rei Filipe II de Espanha que ambicionava tornar o rio Tejo navegável de Lisboa a Toledo.
Com a inauguração da Linha Ferroviária da Beira Baixa, em 1893, a navegação do Tejo deixou de fazer sentido.
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| Na nossa opinião o lado mais belo do Trilho da Barca d´Amieira é aquele que segue pelo muro de sirga |
A construção das barragens levaram a que uma grande parte dos muros de sirga ficassem submergidos.
Nesta parte do trilho não podemos deixar de nos encantar com a beleza do Tejo, das suas margens e da ponte Férrea sob a foz do Rio Ocreza.
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| A ponte ferroviária sobre a Foz do Rio Ocreza |
Chegados à casa do Barqueiro, já na Barca d´Amieira avistamos a barca moderna, que permite atravessar o Tejo até Envendos, no concelho de Mação, de abril até fins de outubro, sempre que as descargas da barragem do Fratelpermitem.
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A barca moderna que permite a travessia de um veiculo ligeiro sempre que as descargas da barragem do Fratel permita |
Não podemos continuar sem antes aproveitar para fazer uma merenda. O lugar é fantástico e tem todas as condições, falta-lhe apenas um W.C.
Daqui até à Amieira do Tejo é sempre a subir, por entre quintas e azinhais, seguimos por aquele que dizem ter sido o percurso do cortejo fúnebre da Rainha Santa Isabel, que morreu em Estremoz e foi por ali transportada até Coimbra, onde foi sepultada. Diz a lenda que ela vestia uma veste de linho finíssimo tecido pelas famosas Jans.
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Daqui para a frente é sempre a subir. O Tejo fica na sua calmaria a correr pelo vale |
Chegamos estafados à Amieira do Tejo, mas ainda tivemos coragem para visitar o Castelo do século XIV, mandado construir pelo Prior do Crato, pai do famoso Nuno Alvares Pereira, o Santo Contestável.
Este castelo de planta quadrangular e dotado de quatro torres, serviu de habitação à família do Prior do Crato e por esse motivo não foi construído na parte mais alta da aldeia. Apenas mais tarde se tornou fortificação militar.
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Castelo da Amieira do Tejo |
Na capela de S. João Batista, de altar simples, não se pode deixar de reparar nos esgrafitos na abobada, não só porque são em grande número o que não é normal nas redondezas, mas também devido às figuras do órgão sexual masculino, algo pouco comum numa igreja.
Dicas úteis
Localização: Niza – Portalegre
Trilhos percorridos:
· Trilho das Jans – 11 Kms – circular -inicia e termina no Largo do castelo da Amieira do Tejo) – Algo difícil
· Trilho da Barca d´Amieira – 3,6 km ( 7,2 km ida e volta) – linear – inicia na Barragem do Fratel ou na Barca d´Amieira- fácil.
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Quando fomos ainda não estavam disponíveis folders do PR11 NIS mas esta imagem do Percurso dos Trilhos das Jans, ajuda a ter uma noção dos Trilhos. |
Os dois percursos podem ser efetuados em conjunto, como nós fizemos, iniciando e terminando na aldeia da Amieira do Tejo. São 13 km, circulares e algo difíceis.
Quem pretende ir em família, com crianças pequenas ou pessoas como mobilidade mais condicionada poderão efetuar apenas os passadiços começando na Barragem do Fratel (podem visitar o Skywalk, a ponte Pedonal suspensa e os baloiços) ou continuar para lá, já no muro de sirga até à Barca d´Amieira e voltar.
A melhor época para fazer os trilhos, na nossa opinião, é na Primavera, quando os campos estão floridos e quando o calor é menos intenso. Quando for leve água, calçado confortável, chapéu e protetor solar. Evite ir nos dias de calor intenso porque não existem muitas sombras e de chuva ou de nevoeiro porque o piso para além dos passadiços pode estar escorregadio. E se puder não vá ao fim de semana, porque deve haver muitos visitantes.
As imagens valem por mil palavras
























9 Responses
Muito giro e excelentes fotos. Dá vontade de lá ir…
A paisagem é magnífica, o rio as margens a linha do comboio e a barragem dão ao local uma beleza ímpar.
Excelente descrição, ficamos com vontade de ir. Obrigado pela partilha.
Obrigada pela visita. não deixe de ir o local é magnifico
Belíssimo passeio e descrição perfeita, viajei junto !
Meu amigo, não vão chegar os dias para viajarmos quando regressarem a Portugal. Saudades vossas❤️
Nunca tinha ouvido falar, mas com esta descrição só posso lá ir! Ja mal posso esperar ♥️
Obrigada. Vai adorar❤️