Honfleur — O que ver na Joia da Normandia

Há cidades que existem para serem vividas devagar. Honfleur é uma delas. Encostada à margem sul do estuário do Sena, esta cidade portuária da Normandia parece ter pausado o relógio algures no século XVII — e nós estamos gratos por isso.

Uma cidade que inspira pintores há séculos

Quando Eugène Boudin nasceu aqui, em 1824, Honfleur já tinha séculos de história marítima. Foi, no entanto, Boudin quem ajudou a colocar a luz e as paisagens da cidade no mapa da pintura francesa, influenciando também o jovem Claude Monet.

Vieux Bassin de Honfleur com barcos e casas históricas refletidas na água
O Vieux Bassin, o coração de Honfleur, rodeado pelas casas históricas da cidade

O reflexo das fachadas altas e estreitas nas águas tranquilas do Vieux Bassin, os mastros dos veleiros a pontuar o céu por vezes cinzento da Normandia, a luz filtrada que chega do Canal da Mancha — tudo aqui convida à contemplação.

Mas Honfleur é muito mais do que telas e pincéis. É também uma cidade com mil anos de história portuária, ponto de partida de importantes expedições francesas para a América do Norte, incluindo a expedição de Samuel de Champlain que, em 1608, levou à fundação de Québec. Uma cidade que viu navios de guerra, comerciantes de sal e exploradores, e que guarda essa memória em cada pedra.


O Que Não Perder em Honfleur

Honfleur é pequena o suficiente para ser descoberta a pé em algumas horas ou num dia, mas rica o suficiente para merecer dois. Nós adorávamos ter desfrutado mais da cidade, mas o tempo curto não o permitiu.

Aqui deixamos o que não podem perder:

Vieux Bassin

O Vieux Bassin, criado por ordem de Colbert em 1681, é o coração de Honfleur. As casas altas e estreitas, revestidas de ardósia, refletem-se nas águas do porto e criam aquela imagem que se tornou um dos grandes símbolos da cidade.

Vieux Bassin de Honfleur com barcos e casas históricas de ardósia
O Vieux Bassin, o coração de Honfleur, rodeado pelas características casas de ardósia

Junto ao Vieux Bassin encontram também a antiga igreja de Saint-Étienne, hoje integrada nos Museus do Vieux Honfleur, onde funciona o Museu da Marinha. Nas proximidades fica o Hôtel de Ville, a Câmara Municipal da cidade.

A visita ao porto não pode terminar sem repararem no La Lieutenance, a antiga casa do governador de Honfleur, e na vizinha Porte de Caen, um pedaço do que resta da muralha que circundava a cidade fortificada.

La Lieutenance de Honfleur com a sua escadaria exterior e porta vermelha
La Lieutenance, antigo vestígio das fortificações de Honfleur

Perder-se pelas ruas de Honfleur

Talvez a melhor forma de conhecer Honfleur seja simplesmente caminhar sem destino. As ruas estreitas e calcetadas, as casas antigas, as galerias de arte, as lojas de artesanato e os pequenos cafés aparecem a cada esquina e convidam a descobrir a cidade sem pressa.

Casas históricas de Honfleur com fachadas de ardósia e torre de Sainte-Catherine ao fundo
As casas de ardósia e a torre de Sainte-Catherine, no centro histórico de Honfleur

Igreja de Sainte-Catherine

A Igreja de Sainte-Catherine é a maior igreja de França construída em madeira e destaca-se pela sua torre sineira separada. Foi erguida pelos próprios habitantes no século XV, após a Guerra dos Cem Anos. O interior, que evoca o casco invertido de um navio, recorda que muitos dos seus construtores eram carpinteiros navais — e resulta numa das experiências mais íntimas e poéticas que Honfleur oferece. Sentem-se alguns minutos em silêncio e reparem na atmosfera única deste espaço.

Interior da Igreja de Sainte-Catherine em Honfleur com estrutura de madeira
O impressionante interior de madeira da Igreja de Sainte-Catherine, construído por carpinteiros navais

Museu Eugène Boudin

Uma visita obrigatória em homenagem ao pintor impressionista que aqui nasceu e que foi uma importante influência para o jovem Monet. O museu reúne obras de Eugène Boudin e de outros artistas ligados à Normandia e à história artística de Honfleur.

Campanário da Igreja de Sainte-Catherine em Honfleur
O campanário separado da Igreja de Sainte-Catherine, que hoje alberga um anexo do Museu Eugène Boudin.

Greniers à Sel

Os antigos celeiros de sal do século XVII — dois dos três originais ainda de pé — foram construídos em 1670 para armazenar o sal utilizado, entre outras atividades, na conservação do bacalhau pescado nos bancos da Terra Nova. Hoje, são também utilizados para eventos e exposições.

Capela Notre-Dame de Grâce

No alto da colina, acima de Honfleur, a Chapelle Notre-Dame de Grâce oferece uma das melhores vistas sobre o estuário do Sena, o porto e a Ponte da Normandia. Um sítio para parar, respirar e perceber a escala deste lugar.

Ponte da Normandia

Inaugurada em 1995 e recordista mundial durante anos, esta ponte estaiada com 2.143 metros liga Honfleur a Le Havre, cruzando o Sena antes da foz. É possível atravessá-la a pé ou de bicicleta — uma experiência que impressiona pela escala e pela vertigem. Nesta viagem atravessámos a ponte de carro vindos de Étretat. A ponte é portajada e, na altura da nossa viagem, pagámos cerca de 6 €.

Ponte da Normandia sobre o estuário do Sena entre Honfleur e Le Havre
A Ponte da Normandia, que atravessa o estuário do Sena entre Honfleur e Le Havre.

Para quem quiser uma perspetiva diferente, existem passeios de barco — os chamados promenade en mer — que oferecem uma viagem de 1h30, incluindo a passagem pela eclusa, o porto comercial de Le Havre e a navegação por baixo da Ponte da Normandia.

À data da nossa viagem, os valores eram os seguintes:

  • Preço: Aproximadamente 18 € por adulto e 12 € para crianças (grátis para menores de 3 anos)
  • Horários: Geralmente com partidas às 11h30, 14h30, 16h30 e 18h30 (variável conforme a época e as condições meteorológicas)

Os Sabores da Normandia no Prato

A gastronomia normanda é uma das mais ricas de França, e Honfleur é o sítio perfeito para a descobrir. O mar ali ao lado garante marisco e peixe fresquíssimos; as macieiras do interior da região fornecem matéria-prima para duas das suas criações mais icónicas.

  • Frutos do mar — Ostras, mexilhões e camarão frescos, servidos nos restaurantes em torno do porto com vista para os barcos
  • Calvados — A aguardente de maçã normanda, que podem provar (e comprar) nas tabernas e destilarias da região
  • Cidra — Bebida rainha da Normandia. Existe até um trilho específico da cidra que podem percorrer nos arredores
  • Queijos — Camembert, Livarot e Pont-l’Évêque — três dos queijos mais emblemáticos da Normandia.
  • Caramelos — Os famosos caramelos normandos com manteiga salgada, que se encontram em todas as lojas do centro histórico

A maioria dos restaurantes concentra-se em torno do Vieux Bassin. Reservem uma mesa com vista para a água e passem a tarde como habitantes locais — sem pressa, sem planos.

Restaurante numa casa histórica junto à Igreja de Sainte-Catherine em Honfleur
Um dos restaurantes instalados nas casas históricas junto à Igreja de Sainte-Catherine

Simplesmente “Flanar”

Há uma palavra francesa — flâner — que descreve o prazer de vaguear sem destino, deixando que a cidade vá revelando os seus segredos ao ritmo dos próprios passos. Honfleur foi feita para isso.

As ruas estreitas do bairro de L’Enclos, com as suas lojas de artesanato e galerias de arte, convidam a desvios inesperados. O Jardin Public, um jardim tranquilo que desce até à orla, oferece sombra e silêncio quando o centro começa a encher-se. E no Quai Sainte-Catherine, os cafés com cadeiras nos passeios ensinam que não há pressa nenhuma para ir a lado nenhum.

Carrossel de cavalos de madeira junto ao Hôtel de Ville de Honfleur
O tradicional carrossel de cavalos de madeira junto ao Hôtel de Ville de Honfleur.

De maio a outubro, o carrossel de cavalos de madeira em frente ao Hôtel de Ville traz uma alegria quase de outro tempo — adultos e crianças igualmente rendidos à sua volta lenta.


Uma Curiosidade para Quem Visita em Maio

Visitámos Honfleur no 1.º de maio e reparámos que havia imensos vendedores de pequenos raminhos de flores, especialmente nas ruelas próximas ao porto e à Igreja de Sainte-Catherine. Ficámos a saber que se trata do Muguet — ou Lírio-do-Vale, em português — um símbolo de sorte.

Em França, é tradição oferecer um raminho desta flor branca no Dia do Trabalhador para desejar boa sorte e felicidade. Neste dia é tradicional encontrar vendedores de muguet pelas ruas das cidades e vilas francesas, o que as torna especialmente floridas e perfumadas nesta data.


Dicas práticas para visitar Honfleur

Qual a melhor época para visitar?

Na primavera e início do outono — especialmente maio, junho, setembro e início de outubro.

A cidade é pitoresca todo o ano, mas no verão é muito mais movimentada.

Como chegar?

Desde Paris, a viagem de carro demora cerca de 2 horas.

De Étretat — como foi o nosso caso — são cerca de 45 minutos pela autoestrada ou cerca de 1h15 pela estrada nacional.

De transportes públicos desde Paris, o mais fácil é apanhar comboio até Trouville-Deauville ou Le Havre (saindo da Gare Saint-Lazare) e depois um autocarro da Bus Vert du Calvados até Honfleur.

Como circular?

A pé é a melhor — e quase única — forma de visitar o centro histórico. Grande parte das ruas estão fechadas ao trânsito.

Onde Estacionar?

Deixem o carro num dos parques junto ao centro (quando fomos eram cerca de 5 € por dia). Nós estacionámos num grande parque ao lado do porto e por detrás do por detrás do Hôtel de Ville. Mas segundo lemos existe um parque gratuito junto ao Naturospace.

Excursões de um dia a partir de Honfleur?

Honfleur combina muito bem com Étretat, com Deauville e Trouville e outras praias elegantes, mas também com Caen e Bayeux, como poderão conferir nos próximos artigos.

Quanto tempo é necessário para visitar Honfleur?

Meio-dia pode ser suficiente para conhecer os principais pontos de Honfleur, sobretudo se fizerem uma visita focada no centro histórico. No entanto, se quiserem visitar museus, subir até à Chapelle Notre-Dame de Grâce e desfrutar da cidade sem pressa, recomendo reservar um dia completo.

A nossa experiência em Honfleur

Saímos cedo de Étretat (depois de um pequeno-almoço maravilhoso). Como não havia trânsito, optámos pela autoestrada e cruzámos a Ponte da Normandia pouco depois das 9 horas da manhã.

Casas tradicionais de Honfleur com fachadas de madeira e ardósia
As fachadas tradicionais em madeira e ardósia que dão personalidade às ruas de Honfleur

Quando chegámos, a cidade estava a acordar, era feriado, Dia do Trabalhador, ainda era cedo para os turistas que vêm em excursão e o porto estava calmo.

O sol brilhava num céu azul com poucas nuvens, a temperatura estava agradável.

No parque de estacionamento perto do porto havia muitos lugares. O pagamento era efetuado à saída e pagava-se pelo tempo de estacionamento.

Primeiro, deixamo-nos encantar com as cores do Vieux Bassin, depois subimos em direção à Igreja de Sainte-Catherine, havia apenas meia dúzia de visitantes, o que permitiu aproveitar o local na sua plenitude. Percorremos ruas e becos. As lojas, restaurantes e pequenos cafés abriam lentamente.

As lojas, restaurantes e pequenos cafés abriam lentamente. Quando voltámos ao velho porto já o carrossel em frente ao Hotel de Ville, estava cheio de crianças e adultos, os turistas já se espalhavam pelas ruas e os barcos que fazem os passeios até à ponte da Normandia preparavam-se para partir cheios.

A cidade estava agora acordada e em pleno movimento, os locais compravam pequenos ramos de Lírios-do-Vale e os turistas flanavam pela cidade.

Para nós estava na hora de partir para o próximo destino.

Nós estivemos na cidade um par de horas pela manhã e ficámos com vontade de ter ficado mais. Gostávamos de nos ter sentado num dos muitos cafés do Porto e ficado por ali apenas a apreciar a cidade, mas tínhamos planos para o almoço noutro local.   


Honfleur não precisa de uma lista interminável de atrações para nos conquistar. O Vieux Bassin, as ruas antigas, a madeira de Sainte-Catherine e a luz que se reflecte nas águas são suficientes para perceber porque tantos artistas se apaixonaram por esta cidade.

Cheguem, estacionem e caminhem. O melhor de Honfleur acontece exatamente nos momentos não planeados.

🚗 Continuem a explorar a Normandia

Se estão a planear uma road trip pela Normandia, descubram também os restantes artigos desta viagem.

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FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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