RENNES – O que fazer + visitar + comer

Terra de lendas memoráveis desde Asterix a Merlin, dos Cavaleiros da Távora Redonda até ao Lendário Rei Artur, a Bretanha é uma região francesa com fortes e antigas tradições.

Ela foi colonizada por migrantes da Grã-Bretanha descontentes com o regime romano dos séculos V e VI. A região mantém crenças e costumes celtas, e é reconhecida como uma das seis nações celtas juntamente com a Escócia, Irlanda, Ilha de Man, Pais de Gales e Cornualha.

Os bretões mantiveram- se fora do domínio francês até 1532, e até ai foram governados pelo Ducado da Bretanha.

A Capital da Bretanha é RENNES, uma pequena cidade universitária, situada no noroeste da França, a cerca de 349 km da capital, Paris, foi fundada durante a época Galo-Romana e foi a capital do Ducado da Bretanha.

De ruas planas, repletas de praças com cafés acolhedores, os mercados coloridos e parques frondosos, a par com o seu rico património, fazem desta cidade, ainda pouco conhecida pelo turismo, o ponto de partida para uma road trip de fim de semana prolongado.

Nós começamos aqui a nossa viagem de quatro dias pela Bretanha com um pezinho (pequenino, vá) na Normandia.

Guia Prático para visitar Rennes

Como chegar – Existem voos diretos de Lisboa para Rennes, mas na época que fomos (fevereiro de 2024 – carnaval) os voos estavam caríssimos, pelo que optamos por voar para Nantes e alugar um carro, iniciando uma road trip de quatro dias, tendo como primeira paragem RENNES.

A viagem de carro de Nantes a Rennes é de 1 hora e 30 minutos, sempre por estradas excelentes e sem portagem.

De Paris é possível chegar a Rennes de TGV.

Gastronomia – A proximidade ao Oceano, a influencia do Canal da Mancha e os vastos campos agrícolas, fazem com que esta zona de França, seja rica em opções gastronómicas que vão desde os frutos do mar e carne de pasto, às famosas Galettes e Crepes. Para beber a cidra ou cerveja artesanal.

Onde Dormimos: Já era tarde quando chegamos de Nantes e fomos direitos ao Hotel Anne de Bretagne, um três estrelas simples, sem pretensões, mas confortável e muito bem localizado.

Sabem que Anne de Bretegne foi por duas vezes Rainha de França, entre 1491 e 1498 e de 1499 até 1514 e era tida como uma mulher inteligente, astuta e com um enorme sentido de governação.

Como nos locomovemos na cidade: a cidade é plana e visitável a pé. Para quer quer ficar mais tempo e quer ir para lá do centro, a cidade tem metro.

Roteiro para conhecer Rennes

Acordamos num sábado em Rennes. A manhã nasceu soalheira apesar de ter chovido boa parte da noite e das ruas ainda estarem molhadas.

Queríamos muito amanhecer na cidade porque era sábado dia de Mercado na Place des Lices.

O mercado semanal começa antes das 7 horas da manhã e termina perto das 13 horas, os habitantes vão chegando devagar, mas perto do meio dia este espaço é invadido e é difícil circular. Nas bancadas montadas pelos comerciantes desfilam coloridos legumes e frutas, cogumelos, compotas e doces. Pão, mel, sumos artesanais de maçã, cidra e cerveja, queijos, foie gras e flores.

Num setor estão os peixes e os mariscos, onde se destacam as santolas, vieiras e ostras.

A Place des Lices na Idade média era um lugar fechado onde se disputavam torneios de cavaleiros. Atualmente os únicos torneios que se disputam no local, são pela compra dos melhores legumes, carnes, peixes e frutas. Este é aliás considerado como um dos mais belos mercados de França e o segundo maior do país, com mais de 300 produtores locais.

Não deixem de provar a Galette-Saucisse, uma salsicha fresca grelhada, enrolada numa Gallete de massa de trigo sarraceno, algo parecido com um cachorro quente.

As Portes Mordelaises estão ali mesmo ao lado. Esta era no século XV a principal porta de entrada da cidade e desempenhava um papel importante: era por elas que os duques, duquesas e bispos faziam suas entradas triunfais sob os aplausos da multidão e onde foi jurada a independência da Bretanha.

O inicio da sua construção é do século III, ainda na ocupação romana e no local existem algumas escavações com os vestígios arqueológicos dessas altura

Seguimos para a Catedral Saint-Pierre de Rennes, dedicada a São Pedro é uma magnífica igreja gótica. As suas torres e a fachada chamam a nossa atenção e o seu interior de ricos altares e vitrais deixam-nos encantados.

Continuamos a caminhar pelas ruas da cidade até chegar à Place de La Mairie, é aqui que está o magnifico edifício da Câmara Municipal ou Hôtel de Ville, construído em 1720, composto por três monumentos ligados por uma torre relógio.

Em frente à Câmara, está a elegantíssima Ópera de Rennes, imponente com os seus 700 lugares sentados. Ambos os edifícios harmonizam a praça e complementam-se.

Vamos até à Place de la Republique, onde o Palais du Commerce marca o centro da cidade. Por ser sábado esta vai despertando mais tarde e por volta das 11 horas os locais já enchem ruas e as esplanadas ganham vida.

Embrenhamo-nos pelas ruas da cidade antiga de Rennes, onde as casas de enxaimel nos acompanham com as suas fachadas coloridas. São cerca de 300 casas de enxaimel que sobraram após o grande incendio que quase devastou a cidade.

As ruas Le Chapitre, Psalette e Saint-Sauveur, são onde tem as casas mais fotogénicas.

Mas derretemo-nos com a irregularidade e aparente instabilidade das fachadas típicas do século XVII da Place du Champ Jacquet.

As casas em enxaimel não foram todas construídas ao mesmo tempo. Este tipo de construção começou na Idade Média e prolongou-se até ao século XVIII, com variações de estilos, decorações e estruturas. No entanto, há um elemento característico que sobreviveu ao longo dos séculos: a cor. Assim como as esculturas, a cor é um elemento de representação social para os proprietários. Baseada em pigmentos naturais, a gama é bastante limitada: cores brilhantes, como vermelho ou amarelo e o azul, obtido do lápis-lazúli muito mais caro e que se limitava apenas a detalhes decorativos.

Rapidamente chegamos à Place de Saint Anne, guiados pelo som do  o Carrossel du Palais. Um carrossel de madeira de dois andares, com 13 metros de diâmetro, restaurado de acordo com as regras da arte que deleita qualquer um.

O carrossel representa motivos bretões que vão desde os dançarinos no topo, a cenas que retratam o mar e as aventuras maravilhosas de Júlio Verne.

A mirar este carrossel estão, o Convento dos Jacobinos, transformado desde 2018 num Centro de Convenções e que na sua Casa Capitular tem instalado o posto de turismo, onde podem recolher todas as informações sobre a cidade. E a imponente Basílica de Notre-Dame de Bonne-Nouvelle a igreja abobadada mais alta da Bretanha, é um monumento inacabado, cuja construção levou quase 20 anos. O seu interior é riquíssimo e os vitrais retratam vários episódios da história de Rennes.

Seguimos para a Place du Parlament de Bretagne e maravilhamo-nos com a fachada do edifício do Parlamento, hoje sede do Tribunal, e onde há a possibilidade, mediante prévia marcação, de visitar o seu interior totalmente recuperado após o grande incendio de 1994.

Voltamos à Place de Saint Anne e entramos pela Rue de la Soif (rua da sede) ponto de encontro de estudantes e não só, para beber uns copos. Verdadeiramente o local chama-se Rue Saint-Michael e é uma das ruas que reúne mais casas de enxaimel.

Ainda houve tempo para passar novamente no mercado e comprar uns petiscos para a viagem, estava na hora de partir para o próximo destino da nossa Road Trip.

Ficou imenso para ver e fazer e ficamos com vontade de voltar para daqui partir talvez de barco pelos canais que levam até ao mar e explorar a costa Esmeralda, mas por agora rumamos até Saint – Malô.

Esta viagem foi realizada entre os dias 9 e 13 de fevereiro de 2024.

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FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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