
Vila amuralhada abraçada pela Ribeira de Oeiras e pelo Rio Guadiana, é carinhosamente apelidada por Vila Museu por ter sido residência de fenícios, romanos, árabes e visigodos, que aí deixaram o seu legado arqueológico.
Foi um importante porto fluvial do Rio Guadiana, por onde se escoavam os produtos até ao oceano e daí até ao mediterrâneo.
Também foi um Emirado Islâmico independente – a Taifa de Mértola – formado após a queda do califado de Córdoba.
Terminou conquistada pelos cristãos no reino de D. Sancho II, a sua importância como porto comercial foi diminuindo com os descobrimentos e o aparecimento de novas rotas e a vila com o tempo foi votada ao esquecimento.
Mas Mértola soube reinventar-se e abrir-se ao turismo, partilhando com os visitantes a sua história e saberes adquiridos ao longo dos séculos.
Guia Prático para visitar Mértola
COMO CHEGAR:
Mértola fica a 235 quilômetros de Lisboa, 510 quilómetros do Porto e a apenas 14 quilômetros de Espanha. Nós fomos de carro a partir de Lisboa, mas pode-se ali chegar de autocarro, vindo do Lisboa ou de Vila Real de Santo António, no Algarve.
O QUE E ONDE COMER
O Alentejo é rico no que toca a gastronomia e Mértola é a capital da caça, o que já por si só promete. Mas há mais para além da caça, temos a carne bovina mertolenga, os borregos e o porco alentejano. O peixe do rio, o pão, o azeite, os queijos e lacticínios, os enchidos, o mel, as túberas (uma espécie de trufas), os cogumelos e espargos, todos estes ingredientes proporcionam pratos ricos e de sabores fantásticos.
A região é também famosa pelo seus vinhos.
No que toca a Restaurantes existem imensos, recomendaram-nos dois, a Paragem (que fica em Corvos) e o Espaço Casa Amarela, mas acabamos por não ir a nenhum, porque não os conseguimos encaixar nas nossas voltas.
Podemos no entanto, recomendar as bifanas e moelas do Café Guadiana, que são fantásticas.
ONDE DORMIR
Mértola tem vários locais onde pernoitar, nós apenas podemos recomendar onde ficamos.
A Quinta do Vau é um local bastante acolhedor e com vistas para a vila de cortar a respiração.
Os nossos fins de tarde tiveram sempre um glamour diferente, pois ali o som do silêncio é repleto de cantos, piares e balidos, acompanhados do correr das águas do rio.



ROTEIRO PARA UM FIM DE SEMANA INESQUECÍVEL EM MÉRTOLA
Da muralha que outrora rodeava a vila, restam ainda cerca de 1000 metros e das três portas originais resta apenas a Porta da Ribeira que permitia o acesso ao Porto. A muralha e o castelo que vigia lá do alto o Guadiana, são os primeiros a chamar a nossa atenção.
Mértola é em si só um Museu e por isso tem vários núcleos museológicos dispersos pela Vila.
Imperdível é a Igreja Matriz da Nossa Senhora da Assunção, construída em cima da antiga mesquita. Esta é o único exemplar de arquitetura religiosa islâmica em Portugal. A mesquita foi aqui erguida no século XII e o espaço foi remodelado como templo católico no século XVI.

Nela é ainda possível ver as quatro portas islâmicas, o mimbar, o púlpito de onde o imã dirige a oração e o mihrab, o nicho em forma de abside que tem a função de indicar a direção da cidade de Meca, para a qual os muçulmanos se orientam quando realizam as cinco orações diárias.
Outros locais únicos são: a Torre do Relógio, situada na muralha lateral do centro histórico, voltada para o rio e que se julga tinha a função de controlar a zona portuária. No sino é possível ver a inscrição da data de 1593, que se julga ser a data da sua construção.

A Casa Romana, que hoje alberga a Câmara Municipal de Mértola e a Ala Museológica Romana.
Não perder também o Castelo de Mértola, a Alcáçova, a Basílica Paleocristã e deixarem-se perder pelas ruas da vila, entrar nas lojas e apreciar aquele local tão carregado de história.


Mértola tem também vários miradouros e mirantes, destacamos o da Ermida da Nossa Senhora das Neves, de onde é possível ver toda a vila e a Ponte de cinco arcos sobre a Ribeira de Oeiras, o Miradouro da Torre de Menagem, com vistas de se perder na paisagem alentejana.


Mas para ter a melhor vista da vila de Mértola tem de ir a Além Rio, a outra margem do Rio Guadiana. É daqui sem dúvida a melhor vista. Vão até ao Espaço Casa Amarela (um famoso restaurante local) e logo abaixo está o miradouro para a outra margem. Quem ficar alojado na Quinta do Vau pode contemplar a melhor vista de todas.

Ali ao lado da vila, fica a Praia Fluvial das Azenhas do Guadiana, onde se pode ver ainda as antigas azenhas que moíam os cereais, até os transformarem em farinha. Se o tempo tiver de feição, aproveitem e deem um mergulho.
Fora de Portas Pelos Arredores
Cascata Pulo do Lobo


Se chegaram a Mértola de carro então está na hora de alargar horizontes, pois daqui vamos entrar no Parque Natural do Vale do Guadiana, com cerca de 69.700 hectares e conhecer aquele que é apelidado de coração do Parque.
A Cascata do Pulo do Lobo é o pulsar do parque e é considerada a maior queda de água a sul de Portugal.
O Rio Guadiana cai, neste local, de uma altura de cerca de 16 metros e desce sobre a rochosa garganta que o envolve até ao grande lago.
Nesta parte o percurso o rio estreita tanto, que a lenda afirma que até um lobo a consegue transpor num salto, dai o seu nome Pulo do Lobo.
Como Chegar: Há duas formas, uma através de Mértola e outra através de Serpa, ou seja por cada uma das margens do rio.
Nós optamos por partir de Mértola, em direção a Beja até à Aldeia da Amendoeira.
Daqui e sempre seguindo as indicações chegamos à Herdade do Pulo do Lobo, se encontrarem a cancela fechada, não se assustem, o caminho é mesmo aquele, parem o carro abram o portão e avancem, mas não se esqueçam de o fechar após a vossa passagem. O percurso segue em terra batida e vai até ao estacionamento.
Pela outra margem é também possível visitar a cascata, a partir de Serpa em direção à Aldeia de Vale de Poços. dizem que daqui a vista da Cascata não é tão bela. No entanto, existe outro atrativo, os Passadiços do Pulo do Lobo, ainda em construção, e que em breve irão permitir o acesso ao local de forma mais fácil.


Mina de São Domingos e a Tapada Grande
Daqui, seguimos para a Mina de São Domingos que alberga o antigo complexo mineiro de onde eram extraídos metais como ouro, prata e cobre.
É possível fazer o circuito industrial, seguindo a sinalização e todas as recomendações de segurança.
A extração de metais iniciou-se no local, no período da ocupação da península pelos Romanos, mas atingiu o seu apogeu durante os seculos XIX e XX.

É proibido sair do local sem parar na Praia Fluvial da Tapada Grande, desde 2012, galardoada com a Bandeira Azul, tem todas as infraestruturas necessárias para um dia perfeito de mergulhos, para escapar ao calor tórrido do Alentejo e não faltam sombras para grandes piqueniques.


Pomarão
O último ponto da nossa visita é em Pomarão aos pés da barragem espanhola do Rio Chança.
Desde 2009, com a inauguração da Ponte Internacional do Baixo Guadiana, sobre o rio Chança, a distância por estrada à povoação espanhola de El Granado ficou bastante reduzida.
A empresa proprietária da mina de São Domingos construiu em Pomarão uma povoação, armazéns, depósitos de mineral, um terminal ferroviário e dois cais de embarque, onde atracavam os navios à vela e depois a vapor, que subiam o Guadiana desde a foz.
Dali partiam carregados com o minério (pirites) que vinha por via férrea (uma das primeiras linhas construídas em Portugal) desde a Mina de São Domingos.
Em 1864 o movimento no porto era elevado e dali saíram cerca de 563 navios para embarque de minério.
No local ainda se pode ver aquilo que resta do terminal e cais de embarque.



CONSELHOS ÚTEIS
Em nossa opinião dois dias são suficientes para percorrer esta região.
A melhor altura para visitar é a primavera e outono, quando já é possível aproveitar as praias fluviais e não passar tão mal com o calor, que aqui atinge facilmente temperaturas superiores a 30.º C.
Em maio realiza-se o Festival Islâmico e em junho as Festas da Vila, pelo que tenham atenção quanto às reservas de alojamento, pois costumam haver muitos visitantes.




A nossa visita à vila ocorreu entre 19 e 21 de maio de 2023, apanhamos dias de sol, com aguaceiros, mas com temperaturas bastante agradáveis.
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2 Responses
Olá, bom dia!
Excelente artigo! Já passámos diversas vezes por Mértola, mas ainda só ficámos na área de autocaravanas do Pomarão, que também tem umas excelentes vistas, mas a Quinta do Vau parece ser uma óptima opção de estadia.
Desconhecia que pela zona de Mértola também existe a tradição das túberas … que gosto particularmente com ovos mexidos e espargos.
Se voltarem a essa zona, experimentem o restaurante Al-Andaluz, na simpática vila de Santana de Cambas, a 15 quilómetros de Mértola.
Um abraço destes aventureiros com votos de continuação de muitas viagens.
Obrigada pelo Vosso carinho e pelas dicas.
Em março há o festival das Túberas em Mértola, não podem perder
Vamos voltar a Mértola e o restaurante sugerido já está na lista.
Continuação de grandes aventuras.