Portugal – Passadiços do Mondego

No passado dia 6 de Novembro abriram ao publico os Passadiços do Mondego. Tanto que aguardamos por estas novas estruturas, que não conseguimos esperar e fomos lá no dia da sua inauguração.

Estes passadiços localizam-se no concelho da Guarda, às margens dos Rios Mondego e Caldeirão e da Ribeira da Barroca e estão inseridos no Geopark da Estrela, território reconhecido pela UNESCO.

O percurso com 12 km de extensão, é linear e desenvolve-se em 7 km de passadiços, tem 3 pontes metálicas suspensas e o restante trajeto é efetuado por caminhos rurais antigos.

Uma das três pontes suspensas que encontramos no percurso
O caminho em estrada repõe antigos caminhos rurais de acesso aos engenhos locais

Tem um desnível de 600 metros (na Ponte do Mizarela que é o ponto mais baixo).

O tempo recomendado para os percorrer é de 4 a 5 horas e o grau de exigência do trilho é de dificuldade média, mas o terreno tem desníveis acentuados e subir e/ou descer escadas é inevitável. 

Ao fundo o passadiço mistura-se na paisagem

No entanto existem, dentro do percurso principal alternativas acessíveis a todos, como o Percurso Família, com apenas 2 Km que inicia em Videmonte e vai até ao Açude dos Trinta e o Percurso para pessoas com Mobilidade reduzida, com acesso a partir da Vila Soeiro e que vai até à ponte suspensa do Engenho do Pateiro, também 2 km.

Atento o clima da região, muito quente no verão e muito frio no inverno seco.

Onde iniciar o percurso principal dos Passadiços do Mondego

Pórtico de entrada de Videmonte

O percurso recomendado e o Km 0 situa-se na Barragem do Caldeirão e termina em Videmonte, no entanto nós fizemos ao contrário.

Começamos na escadaria de Videmonte e terminamos na imensa escadaria da Barragem do Caldeirão.

A vantagem é que de Videmonte para a Barragem é quase sempre a descer e segundo os locais este é o percurso mais fácil, no entanto preparem-se, pois, os últimos “quase” 600 metros são muito duros e sempre a subir.

É realmente difícil encarar esta subida, mas devagar chega-se lá

Quem não pretende fazer todo o percurso pode fazer apenas o Percurso Família e ao fim de 2 km volta para trás ou vai apenas até à Vila Soeiro.

O que importa saber antes de ir:

  • Por enquanto o acesso aos passadiços é gratuito, mas a partir do final de janeiro de 2023 passará a ser cobrado (julgamos que um euro).
  • Mesmo sendo gratuito, é necessário adquirir bilhete no site www.passadicosdomondego.pt.
  • O percurso está aberto todos os dias, das 9 horas às 17 horas
  • Ao adquirir o bilhete tem de se proceder à marcação do dia e o período que se pretende visitar (de manhã ou de tarde), existem um número limite diário de visitantes e horário de funcionamento dos passadiços é limitado.
  • O controlo das entradas é efetuado em Videmonte, Vila Soeiro ou na Barragem do Caldeirão.
  • Convêm imprimir os bilhetes porque nem sempre tivemos rede suficiente para abrir o site.
  • Durante o percurso apenas existem sítios de abastecimento de água e alimentos, junto das entradas por isso leve um cantil com água para se ir hidratando.
  • Existem casas de banho junto do controlo de entradas.
  • Atenção à estação do ano que escolher para visitar os passadiços, o verão no local é bastante quente e em certas zonas não existem ainda sombras junto do percurso. Já de inverno o mesmo pode ser escorregadio e gelado. A melhor altura será, portanto, as meias estações, primavera e outono.
  • Não é permitido levar animais, circular em veículos de duas rodas bicicleta. O objetivo imposto é de usufruir da paisagem envolvente, num ambiente calmo, em lazer e recreio.
  • Levo um saco para o lixo e traga-o consigo.
  • Existem parques de estacionamento de apoio aos passadiços nas entradas.
  • Para regressar ao ponto de início, sem querer voltar a pé, terá que providenciar um táxi. Os números de contato dos transferes estão no site dos passadiços. Quando fomos verificamos que os táxis não estavam a funcionar ainda muito bem, mas julgamos que será uma questão de tempo.
  • A viagem de táxi da Barragem do Caldeirão para Videmonte custa de 10 a 15 euros (o táxi pode ser partilhado). Se forem dois carros podem deixar um ao final do trajeto.
  • Se ficarem num alojamento local em Videmonte (foi essa a nossa experiência) podem pedir para os proprietários os irem buscar no final da caminhada, há quem o faça com muito prazer e ainda dê boleia a outros caminhantes).

Principais pontos de interesse

As cascatas do Ribeiro dos Moinhos

Cascatas do Ribeiro dos Moinhos

Logo depois de terminadas as escadarias de Videmonte deparamo-nos com as Cascatas do Ribeiro dos Moinhos, um afluente do Mondego, que vai caindo em torno das ruínas de alguns moinhos que ali existiam. Videmonte é famosa pelo pão e organiza anualmente um festival dedicado a este alimento essencial na alimentação portuguesa. Os moinhos que ali se encontram, agora em ruínas, seriam para moer os cereais e produzir a farinha para o pão.

Engenhos e Fabricas

Todo o percurso é recheado de património industrial ligado à fiação, tecelagem e produção de cobertores de papas, um cobertor típico da região da Serra da Estrela, feito a partir da lã churra (comprida, grosseira e lisa).

Os Cobertores de Papa caraterizam-se pelo seu pêlo branco comprido e cheiro característico. São impermeáveis, pesados, quentes, densos e felpudos. O seu uso tradicional era feito pelos pastores não apenas para se manterem quentes durante a pastorícia, mas também para afugentar lobos cuja visão seria confundida pelas características do manto.

in Wikipedia

Pelo Caminho encontra a Fabrica Velha e a Nova, onde se fazia a fiação e cardação da lã e tinham vários teares em laboração.

O Engenho dos Carriços e o de Grange ou Fábrica de Marrocos, esta última procedia ao fabrico da lã, desde a receção da matéria-prima até ao resultado do produto final.

O Engenho de Ribas cuja ponte original foi substituida por uma ponte de passadiço

E o Engenho da Canada, dos Fonsecas e do Pateiro.

Central Hidroelétrica do Pateiro

Foi inaugurada a 1 de janeiro de 1899 e foi a segunda central hidroelétrica a entrar em funcionamento no país, tendo a aldeia de Trinta sido a primeira do distrito da Guarda, a ter eletricidade.

Açude e levada do Pateiro

Uma levada com cerca de 2 quilómetros que desvia as águas do Rio Mondego a fim de formar uma queda de 45 metros que alimentava as turbinas da central hidroelétrica, possibilitando assim que a Guarda fosse uma das primeiras cidades (a terceira) de Portugal a ter eletricidade.

Uma parte muito bela do percurso

Ponte da Mizarela

Uma ponte medieval que une as margens do Rio Mondego entre Pêro Soares e Mizarela. Julga-se ter sido construída sobre a antiga ponte romana ali existente, uma vez que ali confluem dois troços de calçada romana ainda bem preservada.

Cascata Rosa ou do Ribeiro do Caldeirão

Uma queda de água com cerca de 50 metros e um poço com 19 metros. A sua cor rosada deve-se à oxidação e a sulfuretos existentes naquelas águas. Era um lugar de difícil acesso e muitas vezes denominado como “o segredo mais bem guardado de Pêro Soares”, hoje pode ser apreciada em segurança no miradouro construído para o efeito.

Miradouro do Mocho Real

Um miradouro com 700 metros de altura, com uma vista fabulosa

Albufeira do Caldeirão

Abrange áreas da Freguesia de Maçainhas e das Uniões de Freguesias de Corujeira e Trinta e de Pêro Soares, Mizarela e Vila Soeiro. Tem uma superfície inundável de 66 hectares quando atinge o pleno armazenamento. A sua construção veio assegurar o abastecimento de água ao concelho da Guarda e a produção de energia elétrica. A barragem localiza-se em Pêro Soares e na sua Albufeira são desenvolvidas atividades de lazer, funcionando como zona balnear.

Pelo caminho passamos ainda pelos Metasedimentos de Videmonte, pelas marmitas do gigante de vila Soeiro e pelas escombreiras do Alto Mondego

Quando fomos não dormimos no local, mas falamos com quem ali pernoitou e recomendou o alojamento local em Videmonte e os restaurantes também.

Percorremos, os Passadiços do Mondego em novembro, apanhamos tempo encoberto, mas sem chuva e temperaturas anemas para a época.

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FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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