Fez hoje 77 anos que o mundo confirmou a plenitude da maldade humana.
Com o aproximar da derrota, os nazis abandonaram os campos de Auschwitz – Birkenau, sem levar a cabo, com pleno sucesso, a sua missão, exterminar todos os presos e destruir todas as provas das atrocidades ali cometidas.
Em 2016 quando visitei o campo, senti-me devastada, sem chão.
É horrível pensar que uma Europa inteligente e saída há apenas vinte anos de uma guerra, pudesse subjugar, aniquilar, torturar, humilhar e matar, seres humanos, seus semelhantes, da forma como ali o fez.
As lágrimas são impossíveis de segurar e as palavras ficam embargadas na garganta.
A visita é efetuada em silêncio, apenas a voz da Guia se ouve, não há questões, não há murmúrios, há apenas silêncio.
Silencio de luto mas não só. Silêncio de admiração por quem dali escapou e por quem ali perdeu a vida.
A verdade está lá. Os campos existem, os portões são reais, assim como os pavilhões, os milhares de cabelos humanos que serviam para entrançar tapetes e de assessórios trazidos pelos prisioneiros, que sem saber para onde iam, se faziam acompanhar do que aos lhes era querido e imprescindível.
São óculos, roupas, livros, dinheiro e pequenas riquezas. Mas também pentes, próteses e malas, aos milhares.
À entrada tiravam-lhes tudo, primeiro os pertences e por fim a dignidade.
Se é duro ir a Auschwitz? É muito duro. Mas devíamos ir, devíamos honrar quem lá morreu e viveu como prisioneiro e teve a sorte de escapar.
Devíamos ver e divulgar tudo o que vimos, para que nunca alguém, se atreva a duvidar que aconteceu. E para que nunca mais volte a acontecer.
” Ninguém deve sair daqui. Pois poderia levar para o mundo, juntamente com a marca gravada na carne, a terrível noticia do que em Auschwitz, o homem teve coragem de fazer ao homem.” Primo Levi in Se isto é um Homem.





