Á descoberta dos Encantos de Saint Malo: Uma Jornada pela História e Beleza Costeira da Bretanha

Berço de descobridores e de piratas, esta cidade vive, de e, para o mar. Cidade costeira às margens do Canal da Mancha, com poderosas marés, cedo se tornou numa cidade fortificada e protegida por altas e grossas muralhas de granito.

Nomes como René Duguay-Trouin, que ocupou o Rio de Janeiro em 1711, Robert Surcouf, considerado o rei dos piratas e Jacques Cartier o homem que saiu do porto de Saint-Malo para “descobrir” Quebec e Montreal, no Canadá, são personagens incontornáveis da história da cidade.

Sempre foi uma cidade de espirito livre e por isso chegou a declarar-se republica independente, tendo assim permanecido por três anos. O seu lema é “Ni Francais, Ni Breton. Malouin Suis” – Nem Francês, nem Bretão, sou de Malouin (forma como são denominados os naturais de Saint – Malo).

Durante os séculos XVII e XVIII Saint-Malo, foi uma das cidade mais prósperas da França, muito graças aos saques dos corsários, piratas autorizados pelo Rei de França, que saqueavam naus e galés inglesas, portuguesas e espanholas.

Já durante a Segunda Guerra Mundial, quase desapareceu – 80% de seu centro histórico foi arrasado com os bombardeamentos e demorou cerca de 30 anos para se reconstruir, sendo hoje considerada uma das cidades mais belas de França.

IMPERDIVEL – a mini série “Toda a Luz que não podemos ver”, da Netflix, que conta no seu elenco com Hugh Laurie (o famoso Dr. House), baseada no romance de Anthony Doerr, é passada em Saint-Malo e dá-nos uma pequena ideia do nivel de destruição que esta cidade foi alvo durante a Segunda Guerra Mundial.

Tudo o que tem de ver para tornar a vossa visita inesquecível

As muralhas, os fortes e os bastiões que cercam e protegem Saint-Malo são sua imagem de marca.

Deixem o carro estacionado em frente ao Casino de Saint -Malo, nem tentem estacionar intramuros, os lugares são poucos e retira parte da beleza do passeio. Caminhem até ao posto de turismo que fica às portas da cidade. Aqui podem recolher todo o tipo de informação, desde o que ver na cidade e na região, ao estado das marés, passeios e tudo o mais.

Está na hora de explorar as imponentes muralhas que cercam a cidade e oferecem vistas deslumbrantes do oceano e dos arredores.

Caminhar ao longo das muralhas é uma experiência única, com vistas panorâmicas da cidade e do mar, mas primeiro vão ao CASTELO

A subida para as muralhas fica junto à porta que se vê na imagem

Atravessem a Porte Saint-Vincent para ingressar na cidade antiga, à direita, fica o castelo construído no século XV e onde hoje se situa o Hotel du ville ( a Câmara). A Grand Donjon, em formato de ferradura e as Tour Générale, Tour Quic-en Groigne, Tour Dames e Tour des Moulins, que compõem o espaço.

Aqui funciona também o Museu da Cidade (uma boa opção para quem quer descobrir mais sobre a história e a reconstrução de Saint-Malo no pós-guerra).

Daqui é ter atenção até encontrar uma escada estreita, que vos irá levar ao top das muralhas de Saint-Malo. Acreditem que logo que ali cheguem irão ficar siderados, nós ficamos, mas é claro que o céu azul daquele dia de fevereiro ajudou, pois permitia ver longe e isso encantou-nos desde logo.

A primeira coisa que chama a atenção são os quebra-mares, feitos de troncos de carvalho no século XIX para proteger o dique da força do mar. As ondas por aqui, podem chegar até 16 metros.

Os quebra-mares feitos de troncos de carvalho no século XIX

As MURALHAS construídas para proteger a cidade tanto das marés como de invasores. Foram construídas no século XI, melhoradas no século XVI e aumentadas no século XVIII. Protegem a totalidade da cidade velha, e formam um circuito ao seu redor com cerca de 1750 metros. Há apenas uma pequena parte que restou da construção original, apelidada de “Petits Murs” (pequenos muros), que fica entre a Tour Bidouane e o Bastion de la Hollande.

Dali vislumbra-se a  Plage de l’Éventail, que fica às margens da cidade murada, o Fort Nacional, uma pequena construção militar que fica no meio da baía, e com acesso a pé quando a maré está bem baixa.

A Baía de Saint-Malo foi altamente fortificada desde o século XVII para proteger ao máximo a cidade. O engenheiro Garangeau, utilizando planos desenhados por Vauban (arquiteto chefe do rei Luís XIV) construiu quatro fortes nas ilhotas ao redor da baía, tornando-a completamente inacessível.


Continuando a caminhada, sempre com uma bela vista da baía, chegam à Tour Bidouane, uma grande torre em formato de ferradura construída no século XV. Logo atrás da Tour Bidouane fica uma fortificação chamada de Cavallier des Champs-Vauverts, construída em 1652. Aqui está a estátua de Robert Surcouf, o famoso corsário filho da terra.

As ilhas Grande Bé e Petit Bé, com suas pequenas fortalezas militares ficam mais à frente e com a maré baixa, é possível ir até a Ilha de Grand Bé, por uma passadeira que se estende desde a Plage du Bon Secours.

O acesso às Grand e Petit Bé só é possível com a maré baixa, quando a passadeira aparece no areal

Foi nessa ilha que o escritor romântico François-René de Chateaubriand escolheu ser enterrado, com uma bela vista para o mar.

O tumulo do escritor François-René de Chateaubriand

É uma travessia muito interessante, se pensarmos que à apenas umas horas, aquela área estava completamente submersa.

É no topo da ilha, que está a melhor vista para a cidade murada de Saint-Malo.

O Forte da Petit Bé viu a sua construção terminada em 1707 e foi restaurado graças aos fundos de um apaixonado por fortificações marítimas. Também é possível aceder a ele a pé com a maré baixa claro.

De volta à Plage du Bon Secours, temos a Piscina du Bon Secours, uma antiga piscina de água salgada, que desaparece no mar quando a maré sobe.

Sabem qual é a diferença média entre as marés por aqui? Na época de lua cheia na primavera, pode chegar 12 metros. Vale a pena ver a cidade com a maré vazia e cheia a diferença é enorme.

A Piscina du Bon Secours foi construída porque os banhistas queriam ir a banhos mas a água estava a quilômetros de distância. Assim construíram a piscina que retém a água do mar durante a maré baixa.

Desde os Bastions de la Hollande a vista para a praia e para os ilheus é deslumbrante é aqui que está a estátua do navegador Jacques Cartier.

A caminhada termina na Grand’ Porte, a mais antiga entrada em de Saint-Malo, que faz parte da construção da época medieval.

INTRAMUROS

Desçam agora das muralhas e aventurem-se pelo coração histórico de Saint-Malo. As encantadoras ruas de paralelepípedos, as antigas casas de pedra, lojas charmosas e restaurantes aconchegantes.

Algumas das principais ruas de comércio da cidade são Rue Porcon de la Barbinais, Grand Rue, Rue Broussais, Rue de la Vieille Boucherie e todas nos arredores.

Não deixe de visitar a Catedral de Saint-Vincent, uma bela igreja do século XII, com vitrais maravilhosos.

É aqui que podem aproveitar para conhecer a Gastronomia de Saint-Malo. Experimentem pratos de frutos do mar frescos, como moules marinieres (mexilhões em molho de vinho branco) ou galettes de sarrasin (crepes de trigo sarraceno) e os famosos biscoitos amanteigados, os caramelos e o folhado típico da Bretanha, o kouing-amann.

Se Tiverem tempo e se o tempo ajudar façam um Passeio de Barco ao redor das ilhas próximas, como o arquipélago de Chausey ou a Ilha de Jersey. Esses passeios oferecem uma perspetiva única da costa acidentada e permitem explorar pequenas ilhas e enseadas pitorescas.

Aproveitem bem a cidade, sentem-se nas muralhas e apreciem o pôr do sol ou então façam como nós vão ver a noite chegar ao Mont Saint – Michael que fica a apenas 50 minutos de carro e de regresso a Saint – Malo parem em Cancale e regalem-se com umas ostras.

INFORMAÇÕES UTEIS:

Onde Dormimos: Fora de muros claro, no Mercure Saint Malo Balmoral, de carro à entrada da cidade muralhada são 4 minutos. A pé são cerca de 20 minutos à beira mar praticamente.

Onde Comemos: No Le Surcouf em Cancale, ostras, mexilhões e outros frutos do mar, são a especialidade.

SABEM QUE….As ostras são graduadas pelo seu tamanho, de 0 a 5. Os maiores são de bitola 0, enquanto os menores têm bitola 5. O preço também varia, sendo a bitola 0 a mais cara e a 5 a mais barata

Esta viagem foi realizada entre os dias 9 e 13 de fevereiro de 2024.

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FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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