Portugal – Caldas da Rainha – Tão pertinho de Lisboa

Sabem quando já esgotamos a marcação das férias? Quando as férias de verão já se foram e ainda falta tanto para a próxima aventura? Quando nos dá aquela vontade de sair e passar uns dias fora, mas só temos o sábado e domingo.

Pois, este é um artigo para vos inspirar nesses passeios de fim de semana.

A partir de Lisboa existe um sem número de destinos possíveis de fazer num final de semana. Desta vez escolhemos a Região do Oeste que a mim pessoalmente, traz as melhores recordações de infância do tempo em que ia com a minha avó ao Ramalhal.

Gostamos de tudo naquela região e volta e meia andamos por ali.

Desta vez fomos às Caldas da Rainha e vamos aqui contar o que fizemos.

Chegamos cedo no sábado às Caldas da Rainha. A cidade não me é totalmente estranha, desloquei-me ali várias vezes ao Tribunal, mas na verdade, pouco mais conhecia da cidade.

Levavamos uns planos não muito rígidos, porque queríamos um fim de semana leve e sem correrias.

O principal motivo que nos levava até lá era a Rota Bordaliana, uma homenagem da cidade ao Caricaturista, Ilustrador, Jornalista e Ceramista Rafael Bordalo Pinheiro, que ali iniciou, em 1884, a sua produção cerâmica na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.

Foi a partir daqui que o mundo pode apreciar as obras magnificas deste artista, que vão desde azulejos, postes, bustos, jarras, loiças de servir e até animais agigantados. Mas o apogeu chegou com a criação de figuras tão próximas ao Portugal da altura, como o Zé Povinho, a ama da Caldas, o polícia e outras peças que o imortalizaram.

A Rota Bordaliana

Esta é uma maneira fantástica de conhecer as Caldas da Rainha, uma vez que as peças, cerca de 20 figuras agigantadas, estão espalhadas pela cidade.

A Rota, inicia-se na Estação de Caminho de Ferro das Caldas e não é por acaso, pois era aqui que Rafael Bordalo Pinheiro chegava aquando das suas deslocações a Lisboa.

A Estação só por si uma obra de arte, datada de 1887, tem na sua fachada azulejos produzidos pela Fábrica de Faiança das Caldas da Rainha, que retratam cenas do quotidiano da cidade. No interior existem 11 painéis produzidos na Fábrica Aleluia (Aveiro), entre eles um dedicado ao próprio Rafael Bordalo Pinheiro.

Em frente à estação está a primeira obra desta Rota, a “Rã de boca aberta”, sobre os nenúfares, uma replica de um modelo de 1945, inspirada na produção naturalista do artista. Os pequenos nenúfares são do seu filho Manuel Gustavo, de 1920. A fonte está forrada a azulejos com nenúfares e rãs.

Seguindo pela Avenida 1.º de Maio, no topo do café do parque infantil está a gigante ” Vespa”, replica daquela que foi exposta na Exposição Universal de Paris de 1889.

Pesa cerca de 50 quilos, acreditam?

Depois é seguir para a Praça 25 de Abril, onde fica o Tribunal, a Camara Municipal e as Finanças.

É aqui que se encontra tambem o “Zé Povinho”, personagem criada em 1875 no jornal humorístico ” A Lanterna Mágica” e que simboliza o pachorrento povo português e que nos ensinou a responder com manguitos sempre que nos sentimos enganados.

Nesta Praça está também a Igreja da Nossa Senhora da Conceição, se estiver aberta espreitem.

Por trás da igreja está a figura do “Padre Cura” replica do modelo de 1903 e uma das figuras de movimento criadas pelo artista.

Na Praça 5 de Outubro está o “Lobo” de 1900 e da Rua Sebastião de Lima está o “Gato a Caçar” de 1960, que retrata a paixão de Bordalo pelos gatos e na fachada do terminal Rodoviário estão as “Andorinhas” de 1886.

O “Gato Assanhado” está na mesma Rua do Terminal e aqui pode-se visitar o Mercado da Loiça.

No Centro Cultural dos Congressos está a “Ama das Caldas”, figura popular do século XIX, esta é uma réplica da peça de 1897. Seguimos até à Praça da Fruta, o local onde diariamente se vendem legumes e fruta, aproveitem para se abastecer.

No topo da praça está o Posto de Turismo, onde estão várias peças, o Sardão de 1884, o “Policia” de 1901, a “Tartaruga” de 1903, os “Cogumelos” de 1895 e na fachada do edifício o gigante “Caracol” de 1889 que tambem esteve em exibição na Exposição Universal de Paris.

A “Folha de Couve” replica agigantada do modelo de 1901, está no edifício Millenium (amarelo com arcadas).

A próxima paragem é ao Largo do Hospital Termal, berço da história da cidade. Conhecem?

Pois bem, reza a história que no Seculo XV a Rainha D. Leonor, passava por aquelas terras a caminho da Batalha e viu vários populares que ali se banhavam numas águas. Curiosa mandou saber porque o faziam e foi informada de que aquelas águas eram terapêuticas e que curavam várias doenças. A Rainha também se quis ali banhar e ficou curada da sua doença. Por esse motivo mandou edificar um estabelecimento de banhos e o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, em 1485, sendo este, portanto, o hospital termal mais antigo do mundo.

Ali, com acesso através do túnel está a Igreja da Nossa Senhora do Pópulo do início do seculo XVI e cuja capela-mor foi erguida sobre uma das nascentes termais.

Daqui seguimos para o Parque D. Carlos I, através da Rua Rafael Bordalo Pinheiro, que dizem ser a primeira Rua da cidade, à frente vimos a Fabrica Bordalo Pinheiro, não a original Fábrica das Faianças das Caldas da Rainha, que já não existe.

Esta foi erguida pelo filho de Rafael Bordalo Pinheiro para continuar a sua obra. Aqui não deixem de visitar a casa museu São Rafael, o deposito da Fabrica e a loja onde nos deliciamos com as maravilhosas loiças. Nota: no 1.º andar há um outlet com algumas peças muito em conta.

O Museu da Cerâmica tambem merece uma visita, incluindo os seus jardins repletos de peças.

Daqui entramos no Parque D. Carlos I um jardim romântico que envolve o antigo hospital termal. Local de recuperação física, onde os pacientes do hospital podiam passear e beneficiar da natureza.

No final do séc. XIX, com a ascensão da burguesia e a ligação rodoviária, o arquiteto Berquó assumiu a administração do Hospital Termal, mudando radicalmente o parque que se converteu numa zona de ócio, com um lago central artificial, belas e amplas alamedas e um coreto.

Este parque hoje alberga tambem, o Museu José Malhoa, onde podemos, entre muitas obras deste artista, ver a Paixão de Cristo de Rafael Bordalo Pinheiro. Nota: Aos domingos e feriados, a entrada nos museus das Caldas é gratuita até às 14 horas, para todos os residentes em território nacional).

Do outro lado do lago artificial (onde parece ser tradição, pelo menos no verão e primavera, andar de barco a remos) deparamo-nos com os Pavilhões do Parque, projetados nos finais do século XIX por Berquó para serem o novo hospital D. Carlos I.

Berquó, queria fazer das Caldas da Rainha uma verdadeira estância termal europeia, contudo, os “Pavilhões do Parque” não chegaram a cumprir essa função. Durante mais de 100 anos serviram outros fins, foram quartel militar, uma esquadra da polícia e uma escola secundária.

Atualmente estão abandonados, mas parece que vai ali nascer um hotel. Mesmo degredados não deixam de ter uma beleza ímpar e de dar àquele parque um enquadramento magnifico.

Mesmo ao lado dos pavilhões está o Telhado de vidro e o antigo Clube de Recreio. È aqui pendurada nas arvores que está outra obra de Bordalo, a “Aldeia dos Macacos” de 1902.

Mais a frente, perto do coreto, à saída do parque, está a última peça da Rota a “Saloia com Cesto”, do outro lado da rua está a Pastelaria Machado, famosa pelas Cavacas e por outros doces com formatos fálicos.

Antes de partirem das Caldas e se ainda houver tempo vão à mata da Rainha Dona Leonor e voltem ao Mercado da Fruta, para se abastecerem de legumes e frutas.

Escolham um os muitos restaurantes para almoçar e fiquem por ali ou partam rumo a outros destinos como nós fizemos

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FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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