Espanha – Bilbao – De Cidade de Ferro a Capital Basca da Arquitetura

Vista Panorâmica da Ria com a Ponte Zubizuri ao fundo

Cidade situada no Norte de Espanha, na comunidade autónoma do País Basco é a capital da província da Biscaia. Rodeada por cadeias montanhosas e apenas a 14 quilómetros do Mar Cantábrico, desenvolveu-se como uma cidade metalúrgica e ficou conhecida como a Cidade de Ferro.

No entanto, tem vindo a perder esse estatuto graças à recuperação da cidade e à construção de peças arquitetónicas únicas como o Museu de Guggenheim, projeto do arquiteto Frank Gehry.

Atualmente a cidade é considerada um paraíso arquitetónico, e a arquitetura atual e por vezes arrojada encontra-se paredes meias com o neobarroco ou com a art nouveau.

Guia Prático para visitar Bilbao

Como chegar: De Lisboa existem voos diários para Bilbao e a viagem demora um pouco menos de 2 horas. A partir do Porto também há voos diretos e claro mais rápidos.

Para chegar do aeroporto internacional de Bilbao (fica a cerca de 12 km do centro da cidade) ao centro podem optar pelo autocarro. A linha A3247 leva-os desde a porta das chegadas, no aeroporto, até ao centro da cidade, para tal é preciso comprar o Barik, o cartão recarregável que dá para vários transportes na cidade. O autocarro funciona das 6:00 até às 00:00.

Caso cheguem fora desse horário a alternativa é o táxi, que até ao centro da cidade custa cerca de €. 30,00

Gastronomia – Além dos afamados “pintxos” acompanhados com o Txakoli, o tradicional vinho basco, os pratos de bacalhau dominam a reconhecida cozinha da Biscaia. Sítios para comer aconselhamos o Irrintzi, o Vitor Montes e o Bar Bilbao. Para os Pintxos não percam o Gurie Toko na Plaza Nueva e claro o Mercado de La Ribeira.

Victor Montes – famoso pelos seus pintxos

Onde Dormir: Das duas vezes que visitamos Bilbao tivemos experiências diferentes. Na primeira ficamos no Quartier Bilbao Hostel, um sítio com muito boa onda. Da segunda, ficamos num alojamento local no Casco Viejo, também foi uma ótima experiência.

Roteiro para um fim de semana inesquecível em Bilbao:

Vamos começar por fazer um passeio pelas várias pérolas arquitetónicas da cidade, com início no local mais icónico de Bilbao, o Museu de Guggenheim é um projeto do arquiteto Frank Gehry (o mesmo autor do projeto do edifício Fred and Ginger, em Praga). Foi graças à instalação deste museu, que a cidade se transformou e hoje é um polo de atração mundial.

Museu de Guggenheim
Museu de Guggenheim
Museu de Guggenheim

O edifício está coberto de finas placas de titânio, cerca de 33.000 e se observado a partir do rio, parece um barco e foi assim definido em homenagem à atividade portuária da cidade.

O Puppy florido em setembro


O local tem duas exposições permanentes, a escultura Puppy de Jeff Koons, um terriê com mais de 12 metros de altura, que muda de roupagem e colorido consoante as cores das cerca de 40.000 flores de que é (re)vestido, de maio e outubro, nos outros meses é simplesmente verde.

Puppy praticamente verde em maio

E o The Matter of Time, um conjunto de oito esculturas em aço, considerada “menina dos olhos” do acervo do museu, composto por obras de meados do séc. XX até aos dias de hoje de Richard Serra (filho de pai espanhol).

Para visitar o Museu é preciso ter bilhetes, que aconselhamos comprar no site oficial e com antecedência.

No exterior do museu, mais perto do rio, podem apreciar a escultura Aranha Gigante – Mama – com 10 metros de altura e que a autora, Louise Bourgeois dedicou à sua mãe.

Mama

Ali ao lado está L’Arc Rouge (o Arco Vermelho), sobre a ponte La Salve que atravessa o rio Nervión, é uma intervenção do renomado artista francês Daniel Buren, um dos vários projetos inseridos na transformação e revitalização da área envolvente do Museu Guggenheim.

L’ Arc Rouge

Ponte Zubizuri ou Calatrava (o mesmo arquiteto da estação do Oriente) Ponte branca (Zubi quer dizer branco em basco) é uma ponte pedonal que atravessa a ria.

Ponte Zubizuri, que associamos de imediato à estação do Oriente em Lisboa

A Universidade do País Basco – O Auditório da Universidade é um edifício de referência com a forma de um L, e o mobiliário de interiores, são autoria do arquiteto Siza Vieira. A Biblioteca é da autoria do arquiteto espanhol Rafael Moneo.

As Isozaki Towers as salientes torres gémeas do arquiteto japonês Arata Isozaki, destacam-se na paisagem de Bilbao.

O Metro de Bilbao, um projeto do inglês Norman Foster, com os seus “fosteritos”, as características entradas envidraçadas, são exemplos de outras intervenções notáveis da grande regeneração urbana de Bilbao.

O moderno começa a misturar-se com o antigo e rapidamente chegamos ao edifício da Câmara Municipal, localizado entre as montanhas e a margem direita da ria, em estilo barroco, ocupa um antigo convento.

O edificio do ayuntamento

A uns minutos a pé situa-se o Funicular de Artxanda que conduz até ao cume do Monte Artxanda, onde podem passear, apreciar a cozinha local e usufruir de vistas privilegiadas sobre a cidade.

Entrada do Funicular
Vista do Monte Artxanda com o Arc Rouge em destaque

Descemos de novo pelo Funicular e continuamos pela Ria de Bilbao que é formada pelos rios Nervión e Ibaizábal e atravessa a cidade até desembocar no Mar Cantábrico, entre os municípios de Getxo e Portugalete.

A ria divide a cidade entre o Ensanche, na margem esquerda, e o Casco Antíguo, na margem direita.

Seguimos pela beira rio, junto do mercado das flores, para entrar no Parque del Arena. Ai ninguém fica indiferente ao Areatzako Kioskoa de Pedro Ispizua.

O maravilhoso quiosque de Pedro Ispizua

Um pouco mais à frente temos a Igreja de San Nicolau e os seus retábulos negros.

Ali perto está o Teatro Arriaga, assim chamado em honra do compositor Juan Crisóstomo Arriaga, conhecido como o Mozart espanhol. O teatro foi construído no estilo barroco, entre 1886 e 1890, sofreu um incendio em 1914 e reabriu em 1919.

A fachada do Teatro Arriaga

El Ensanche e la Grand Via ficam do lado oposto do rio, que só foi anexada à cidade em 1870, pois até lá era um povo independente chamado de Abando.

Aqui fica o centro de negócios e a área mais cosmopolita da cidade. A não perder deste lado da cidade, os vitrais da estação de comboios – Abando Indalecio Prieto e o edifício La Alhondiga, um antigo armazém de vinho e azeite da cidade e hoje transformado num centro cultural de lazer tem cerca de 43.000m2 e 43 colunas cada uma com um estilo único. Aberto todos os dias.

Uma das 43 colunas únicas de Alhondiga
Vitrais da estação Abando Indalecio Prieto

Caminhem até ao rio e sigam em direção ao Mercado de la Ribeira, o maior mercado coberto da Europa, construído em estilo art deco, que mantem a sua função de mercado, mas tambem é um excelente local para tomar Pintxos.

O mercado de La Ribeira em primeiro plano e por trás a igreja e ponte de San Antón

Ao lado do mercado ficam a Igreja e a Ponte de San Antón, vale a pena a visita.

E entramos no Casco Viejo – conhecido como as 7 calles ou “zarpi Kaleak” foram as 7 ruas que formaram o povoado medieval original. As ruas, são na maioria pedonais e cheias de bares que oferecem saborosos pintxos.

Não se pode perder a Catedral de Santiago (lugar de peregrinação para quem ali passa a caminho de Santiago de Compostela, pois trata-se de uma etapa do caminho do Norte ou da Costa) a visita tem custo, mas os peregrinos, não tem de pagar.

E terminamos o dia na Plaza Nueva a Pintxar.

Plaza Nueva o centro dos Pintxos
Mapa do itinerário do primeiro dia

No segundo dia aconselhamos a alugar um carro e sair de Bilbao tomando a direção de Mundaka, uma localidade costeira da região basca, a cerca de 40 km de Bilbao.

A Basílica de Santa Katalina em pano de fundo

Mundaka é um destino popular entre os sufistas, diz quem é especialista que ali existem umas das melhores ondas da Europa. Mas se não for apreciador de surf, explore a charmosa praça e a área do porto e da Basílica de Santa Katalina.

Seguindo caminho vá até Bermeo um antigo centro baleeiro, uma marina e praias rochosas, mas a atração mais famosa da região é San Juan de Gaztelugatxe. Uma ponte de pedra sinuosa que conduz através de 237 degraus, a uma solitária ilha coroada por uma ermida do século X.

Quem se lembra da Pedra do Dragão no GOT?

De acordo com a lenda local, aqueles que chegarem ao mosteiro e tocarem o sino na entrada do complexo três vezes, terão um pedido realizado.

Ambas construções, prédio e ponte, foram cenário da série de Game of Thrones, representando a fortaleza Pedra do Dragão e por esse motivo, hoje para visitar este local é necessário, segundo informação na página web Bizkaia, reservar um bilhete de acesso gratuito online aqui, durante as seguintes épocas do ano:

  • Finais de semana de 26 de março a 12 de junho.
  • Diariamente durante a Semana Santa (de 11 a 24 de abril).
  • Diariamente no verão (de 13 de junho a 11 de setembro).
  • Finais de semana em setembro e outubro.
  • 11 e 12 de outubro.
  • Ponte Todos os Santos (31 de outubro e 1º de novembro).
  • De 3 a 11 de dezembro.

Nos dias 24 de junho, 31 de julho, 29 de agosto e 30 de dezembro são dias reservados para celebrações socioculturais locais. Os turistas são aconselhados a não visitar Gaztelugatxe nesses dias.

Horário: das 10h às 19h (de 29 de outubro até o final do ano, a última entrada controlada será às 17h).

Nos dias assinalados em cima é essencial, ao chegar a Gaztelugatxe, mostrar o bilhete de reserva que deve ser impresso em papel ou baixado para um dispositivo móvel, uma vez que há um limite de 1.462 pessoas por dia.

Ao fim de 237 degraus temos esta visão
San Juan de Gaztelugatxe

De regresso a Bilbao dirijam-se a Getxo, cidade onde se encontra a Puente Colgante ou a Ponte Vizcaya, único monumento do país basco declarado património da Humanidade pela Unesco, desde 2006.

Puente Colgate

Inaugurada em 1893, foi a primeira do seu género no mundo. È uma ponte de transporte de pessoas, veículos e mercadorias e liga as margens da Ria de Bilbau, entre Portugalete e Las Arenas.

Atravessa-la é uma fantástica experiência, seja na gôndola ou na passadeira no topo da ponte que se acede através de elevador.

A Gondola que atravessa o rio opera 24 horas e os elevadores para chegar à passadeira mais alta funcionam de novembro a março das 10:00 as 19:00 e de abril a outubro das 10:00 às 20:00.

Em Gexto podem ainda visitar o bairro Las Arenas – o Caminho das grandes vilas que vai da ponte à marina de Getxo.

Depois de devolverem o carro e se ainda houver tempo vão a San Mamés (onde fica o Estádio do Atlético de Bilbao) para passear no Parque Dona Cacilda um dos principais espaços verdes no coração da cidade, com um pequeno lago com patos e cisnes. Aqui perto fica o Museu das Belas Artes de Bilbau.

O itinerário sugerido para o segundo dia

Conselhos uteis:

A melhor altura para visitar Bilbao é de abril a outubro, mas ainda assim, em qualquer época do ano levem corta vento e impermeável na mala, é perfeitamente normal cair uma chuvinha;

Bilbao e o País Basco na generalidade, são mais caros que a maioria das cidades e províncias espanholas;

Não se detenham num restaurante, percam-se antes nos muitos bares de Pintxos da cidade.

Um prato de Bocadillos

As nossas visitas à cidade ocorreram em maio e setembro, das duas vezes apanhamos dias de sol e chuva, mas com temperaturas anemas. Ainda assim gostamos mais de ir em setembro.

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FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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