Dublin a cidade mágica

A magnifica fachada do famoso Temple Bar

Um fim de semana prolongado e uma companhia aérea low cost, com voos a sair de Lisboa ao final do dia de sexta feira e que permite chegar a Dublin à hora do jantar e regressar nas primeiras horas de um dia de trabalho, era tudo o que precisávamos para irmos até à capital da Irlandesa.

Ia ser um final de semana frenético, mas com certeza proveitoso. Pelo que sabíamos da cidade, através de livros, filmes e blogs de viagens, havia muito para fazer e dificilmente daríamos conta de todos os locais a visitar, nesta curta passagem pela Capital da Irlanda.

Como chegar do Aeroporto ao centro de Dublin

Os autocarros expresso Aircoach e Dublin Express que podem ser apanhados junto à saída do aeroporto. As reservas dos bilhetes devem ser feitas on line ( é mais barato) mas é possível comprar no local

O aeroporto de Dublin fica a cerca de 10 km do centro da cidade e existem várias opções para ai chegar.

Além dos autocarros de carreira, existem os autocarros expressos que asseguram a ligação ao centro e a outros locais do pais.

O Aircoach 700 tem paragem na O’Connell Street. O Dublin Express estende as suas paragens ao longo da margem direita do Rio Liffey e permite a quem fica alojado na zona do Temple Bar ou no Bairro de Liberties poupar as pernas.

Uma viagem de Taxi, Bolt ou Uber custam por volta dos 30 euros.

Nós reservamos ainda em Lisboa, via internet, os bilhetes para o Dublin Express (7 euros) e de regresso ao aeroporto, onde tínhamos de estar as 4 da manhã, fomos de Bolt (eramos três) e pagamos 27 euros.

Em que região ficar em Dublin

Em nossa opinião os melhores locais para ficar em Dublin situam-se a sul do Rio Liffey

Temple Bar não é apenas o nome de um pub, mas de uma localidade, aliás, a mais central de Dublin. Aqui há muita opção de alojamento, no entanto não se pode ignorar o facto de ser a zona mais movimentada da cidade, povoada com os seus imensos pubs e que recebe nas suas ruas de manhã à noite (e pela madrugada) centenas de pessoas. Por isso quando escolherem esta opção pensem na possibilidade de poderem não dormir convenientemente.

St. Stephen´s Green, a zona a volta do parque com o mesmo nome, fica estrategicamente afastada do centro, mas a uma curta caminhada, é o local onde se situam os hotéis mais caros (não é que haja hotéis baratos em Dublin, mas ainda assim, estes são mais caros).

The Liberties, um bairro residencial e muito solicitado por estudantes, mais calmo mas acessível ao reboliço a uma curta caminhada, a nós pareceu-nos a melhor opção custo/qualidade e foi onde ficamos.

Pub´s (que fomos) para conhecer em Dublin

Os Irlandeses adoram cerveja e adoram pub´s. Estima-se que existam cerca de 800 pub´s em Dublin e 7 mil em toda a Irlanda.

A Irlanda é produtora de cerveja e de whiskey e esse é um motivo bastante para os apreciadores destes néctares visitarem estes locais.

Mas mesmo que não seja apreciador de cerveja e de whiskey não percam a oportunidade de visitar os pub´s (que tem outras opções de bebidas) que na sua generalidade tem uma atmosfera fantástica.

The Brazen Head – O Pub mais antigo de Dublin
  • The Brazed Head, inaugurado em 1198 e frequentado pelo famoso escritor James Joyce, é o mais antigo pub de Dublin. Tem várias salas e ambientes e musica ao vivo diariamente. Quando fomos estava cheio e arranjamos mesa no exterior. A comida é satisfatória mas nada de surpreendente.
O ambiente fantástico dos pubs em Dublin
  • The Church Café, Bar & Restaurante, um dos nossos preferidos, fica na antiga igreja de Santa Maria e é atualmente um Pub. O local mantem os vitrais, os confessionários, o órgão, a pia batismal, as galerias superiores e as criptas funerárias. Foi nesta igreja que em 1761, casou Artur Guinnesse, o fundador da fabrica de cerveja. Além de beber e comer pode fazer a visita auto guiada, auxiliado pelos roteiros escritos disponíveis e que também nos dão a conhecer a historia do local. Aqui há um bar de coquetéis fantástico, por isso, se for possível sentem-se perto da zona de preparação dos mix´s e divirtam-se.
Beber copos numa antiga igreja não é inédito, mas esta é especialmente bela
Os Vitrais
O bar de Coquetéis
  • The Porter House, é tambem uma cervejaria de fabricação própria. Tem musica ao vivo todos os dias. Adoramos o ambiente e as cervejas.
  • The Celt, o que mais gostamos. Adoramos a decoração, a comida e o serviço. o ambiente é super típico.
A Maravilhosa Comida do The Celt (sempre com puré de batata a acompanhar
O interior do bar
Uma das salas do The Celt
  • Darkey Kelly´s, um dos pubs mais conhecidos de Dublin pela música tradicional irlandesa. Darkey Kelly, foi uma irlandesa que morreu na fogueira e pensa-se que poderá ter sido uma bruxa ou a primeira assassina em série conhecida de Dublin, pois foram descobertos vários corpos enterrados sob o solo do bordel que geria. Todos os dias tem musica tradicional ao vivo e o ambiente é fantástico.

Roteiro de fim de semana prolongado em Dublin

Samuel Beckett Bridge – A ponte em forma de Arpa, símbolo da Irlanda

Estivemos três dias completos na cidade e adiantamos já que para nós foi insuficiente para visitar e conhecer tudo. Fartamo-nos de andar e mesmo assim, ficou tanto para ver e fazer.

Começamos por fazer um walking free tour, gostamos de começar as nossas visitas as cidades com esta abordagem, pois ficamos com uma ideia muito boa das localizações, hábitos e costumes e do que vale e não vale a pena dedicar o nosso tempo.

O nosso walking free tour começou muito perto do Temple bar (em frente ao Old Storehouse) e durante 3 horas andamos a percorrer a cidade. Terminamos a beber uma cerveja no Pub Old Storehouse, uma excelente opção para que quer beber algo na zona do Temple Bar, mas não consegue entrar ou não quer pagar o preço absurdo de uma cerveja no famoso Temple bar.

A fachada do Temple bar é realmente lindíssima e faz jus ao milhares de fotos que ali são tiradas diariamente, no entanto o bar está sempre a abarrotar e por vezes é impossível entrar. Em nossa opinião o sitio é muito turístico e para beber umas cervejas existem outras opções que nos pareceram bem mais simpáticas.

Durante o Tour visitamos o Castelo de Dublin, que na realidade é um forte construído no século XIII para defender a cidade e os tesouros do Rei dos ataques normandos. Em 1684 foi quase totalmente destruído por um grande incêndio. De todo o edifício, restou apenas uma das torres originais, a Medieval Tower. O restante edificado foi reconstruído entre o final do século XVII e o século XVIII.

Um dos destaques, são os State Apartments, onde aconteciam eventos luxuosos da monarquia e aristocracia britânica. Em 1922 a Irlanda tornou-se independente e o castelo passou a fazer parte do governo irlandês e, hoje em dia, funciona como local para cerimônias e jantares governamentais importantes.

A curiosa e diferente imagem da Justiça – De costas para a cidade, sem estar vendada e com a espada erguida

Na parte de trás do castelo ficam os  Castle Gardens, que deram origem ao nome Dublin. Era por ali que ficava a Black Pool, uma “piscina” formada pelo encontro dos rios Poddle e Liffey. Em gaélico (língua original da Irlanda), black pool significa Dubh Linn, dai o nome da cidade.

Próximo do castelo encontra as famosas Casas Georgianas, de finais do século XVIII, com as suas portas coloridas, um verdadeiro postal típico de Dublin. Dali seguimos para a Dublin City Hall

Bem perto fica a St Patrick´s Cathedral, construída em 1191 em homenagem ao santo padroeiro da cidade. O St Patrick’s Day é o maior feriado da Irlanda e acontece no dia 17 de março para homenagear a morte do santo. Os irlandeses comemoram o dia a fazer aquilo que mais gostam ….. beber muitíssima cerveja.

Esta catedral é a maior igreja do país e é lindíssima, vale muito a pena uma visita.

Outro local imperdível é  Christ Church Cathedral – a catedral de Dublin (enquanto a St Patrick’s, é a de Catedral da Irlanda).

A Christ Church foi fundada em 1028. E é, portanto, a igreja mais antiga da cidade. De lá pra cá, ela sofreu várias reformas que a modificaram tanto externa, quanto internamente. Mas ainda assim mantêm o seu glamour.

A cripta da igreja é uma atração a parte, é enorme, a maior de todo o Reino Unido e Irlanda, e estão lá expostos o gato e um rato que foram encontrados mumificados dentro de um antigo órgão.

O Tom and Jerry locais

Ao redor da Christ Church existem mosaicos no pavimento que reproduzem artefactos Vikings e, na Winetavern Street, o pavimento tem a reprodução dos contornos de estruturas da Dublin Viking, encontradas em escavações arqueológicas da área. É designada de Viking Area.

No Jardim da Christ Church podemos ainda achar a estatua do Sem Abrigo.

Fomos igualmente ao Natural History Museum, um dos museus gratuitos da cidade (a par com o Country Life Museum, o Decorative Art and History Museum e o Archaeology Museum) , mas atualmente é necessário marcar a entrada on line e para esse fim de semana, já estavam esgotadas as entradas e tivemos de optar pelo Archaeology Museum, onde estão exibidas peças e artefactos que datam desde o ano 7000 a.c até ao final do seculo XX.

Monumento ao National Famine

Uma caminhada até à Samuel Beckett Bridge ( a ponte em forma de arpa) ao entardecer é um passeio imperdivel. Percorremos o passeio marítimo ladeado pelo EPIC e Monumento ao National Famine, entramos na O´Connell Street, até ao The GPO e contemplamos o The Spire, ainda deu para dar uma volta Penneys (a Primark) antes de nos deliciarmos com a visita ao The Church Café, Bar & Restaurante, atravessamos a Ha´Penny Bridge, a primeira ponte pedonal sobre o rio Liffey onde se cobrava “half penny” para atravessar e terminamos esse dia a jantar no The Brazed Head.

The Spire
A Primark lá do sitio

O 2.º dia calhou a um domingo e nós resolvemos apanhar um Bus para Dún Laoghaire, uma cidade costeira ao sul de Dublin, com um mercado de domingo, caminhamos pelo pier e descobrimos que existem ligações de barco até à cidade de Dublin, mas nesse dia já não havia disponibilidade e voltamos de comboio.

O Pier

Nesse dia ainda fomos visitar a estatua da Molly Malone, um verdadeiro símbolo da cidade, que retrata uma simples vendedora de peixe ( e algo mais pela noite) que morreu durante um surto de cólera que arrebatou a cidade.

Terminamos no Trinity College a prestigiada faculdade, famosa e palco de milhares de visitas turísticas por ser a casa onde se expõe o  Book of Kells, e a  Old Library and Long Room.

The Long Room

Nós marcamos a visita em www.bookofkells.ie, na véspera (atualmente não se conseguem comprar bilhetes de outra forma) e marcamos a hora da visita para o ultimo horário do dia 16:30.

A hora marcada entramos, entregaram-nos um videoguia e percorremos o espaço.

O livro de Kells é um dos maiores tesouros da Europa medieval e é considerado o maior tesouro nacional da Irlanda. Trata-se de um manuscrito que contem os quatro evangelhos do novo testamento (Mateus, Marcos, Lucas e João) e foi criado pelos primeiros monges cristãos, por volta de 800 DC.

Curiosidades sobre o Livro de Kells

O livro possuía uma capa cravada de joias chamada “cumdach” mas foi roubada e as páginas são feitas de pele de animal (papel velino), julga-se que de mais de 150 vitelos.

Mas em nossa opinião o top da visita está na Old Library and Long Room. A Biblioteca é considerada um dos mais importantes edifícios de Dublin, sendo o Long Room a sua câmara principal. Esta tem mais de 65 metros de comprimento e mais de 200.000 livros antigos e está entre as bibliotecas mais bonitas do mundos (Portugal tem duas nessa lista, sabiam?)

Ao longo dos 65 metros de cumprimento estão bustos de homens que de alguma forma estão ligados a Trinity e tambem famosos filósofos e escritores. No edifício é também possível ver uma cópia da Proclamação da Republica Irlandesa de 1916 e uma Arpa do seculo XV, o símbolo nacional da Irlanda com o nome de “Brian Boru”.

Já repararam na letra j?

Na visita fiquem atentos à letra que falta na sequencia indicada em cada pilar (falta o J porque no alfabeto latim não existe) às fitas brancas que servem para segurar as capas do livros mais antigos e às passagens secretas que permitem o acesso de um corredor para o outro.

A má noticia é que a Biblioteca do Trinity College vai encerrar para obras de conservação em outubro de 2023 e por três anos.

Saídos daqui fomos jantar ao The Celt, uma verdadeira joia. Comida espetacular e com um ambiente muito típico e terminamos no Darkey Kelly´s, um dos pubs mais conhecidos de Dublin pela música tradicional irlandesa. 

Chegados ao 3.º Dia da nossa viagem tínhamos na agenda (e entradas compradas tambem online) a visita à Guinesse Storehouse e à Jameson Destilary.

O dia tinha amanhecido chuvoso e era o ideal para estas visitas dentro de Portas

A visita à Guinesse Storehouse estava reservada para as 11 horas. Fomos recebidos em St. James´s Gate com toda a poupa e circunstância a que está envolta a atração mais visitada da cidade. 

A fábrica é enorme e o prédio onde fica a Storehouse, que tem o formato de uma uma pint (um copo de cerveja irlandês) de cerveja e tem 7 andares.

Este é o contrato de arrendamento do local firmado por Artur Guiness e que tem duração de 9.000 anos

Na “viagem” acompanhada por um áudio-guia aprendemos tudo sobre o processo de fabricação da cerveja e toda a história de sucesso desta fábrica inaugurada em 1759, por Arthur Guinness.

Começamos por conhecer quais são, de onde vêm e as qualidades dos ingredientes para a fabricação da bebida – os grãos e a água – assim como um pouco da história de Arthur Guinness.

Daqui passamos para a parte real do museu, com imensos tonéis de madeira, equipamentos e tubulações antigas, que outrora serviram a cervejaria.

E é hora de provar a cerveja, um copinho, uma explicação sobre o aroma, o sabor, a coloração da cerveja.

Há ainda a possibilidade de aprender a tirar a sua própria  pint de Guinness. E fazer uma aula de degustação.

No edifício há também uma loja de recordações (onde compramos as coisas mais baratas que no centro da cidade), além de restaurantes. O que mais merece destaque é o Gravity Bar, que fica no último andar, é todo de vidro e oferece uma vista fantástica de toda a cidade. É aqui que pode beber a sua Pint que está incluída no valor da visita.

A pint de Guinness

Terminada a vista, estava na hora de irmos para a velha destilaria da Jameson, fundada por John Jameson em 1780, a The Old Jameson Distillery produziu durante mais de 200 anos, aqueles que juram ser um dos melhores Whiskies do mundo.

Os irlandeses são muito ciosos com o seu whiskey (e não whisky), defendendo que este é o melhor do mundo. A palavra Whiskey vem do celta “uisce beatha” significa água da vida! Como tal, existem também tours guiados a destilarias desse ouro líquido irlandês.

Durante 40 minutos os visitantes desfrutam de uma visita totalmente guiada e imersiva e aprendem a história do Jameson Whiskey, para de seguida, desfrutarem de uma degustação comparativa de uísque.

Após a degustação, todos recebem uma bebida Jameson de cortesia no JJ’s Bar.

O dia estava chuvoso e convidava a passeios por isso recolhemos ao Porter House, onde nos perdemos por cervejas de fabricação própria e pratos partilhados.

Guia Prático para uma visita a Dublin

  1. Mesmo no verão (quando fomos) levem impermeável e um agasalho, pois chove com frequência e à noite arrefece.
  2. Marquem alojamento com muita antecedência e evitem do 17 de março (altura em que a cidade está cheia e não há alojamento).
  3. Corram os pubs todos, mesmo que não apreciem cerveja, é por aqui que se sente o pulso à cidade.
  4. Comprem os ingressos on line, assim evitam não haver disponibilidade para visitar os sítios.
  5. Se estiver céu limpo, fiquem pela Ha´Penny Bridge pela hora do pôr do sol, é imperdível e raro.

Esta viagem foi realizada de 13 a 16 de agosto de 2022.

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Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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2 Responses

  1. Simplesmente maravilhoso e inspirador! Para alem do teor pratico, um verdadeiro guia de bolso quando também nós visitarmos Dublin🥰

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