Um guia completo para organizar a sua viagem ao Panamá- Parte 3 – SAN BLAS

 

 As águas transparentes e a areia branca, fazem do Arquipélago de San Blas um autêntico paraíso mesmo em dias de chuva


Onde fica San Blas
 

San Blas ou Guna Yala é uma comarca autónoma e indígena que rapidamente se converteu no local mais visitado do Panamá.

Bordados artesanais  Kuna

Ao todo são cerca de 360 ilhas, situadas no mar do Caribe, mais precisamente na província de Kuna Yala ou Guna Yala, a leste do Canal do Panamá. Grande parte das ilhas não são habitadas e tão pouco visitadas pelos turistas. A capital da província é  Porvenir 

Por ser uma reserva indígena, os Kunas são os únicos que podem investir e lucrar com a região, proporcionando assim, transporte e alojamento aos turistas e por ser uma região autónoma do Panamá o turista tem de apresentar o passaporte para controlo na entrada do território. 

 

É difícil escolher as imagens todas são arrebatadoras 

 

O Arquipélago de San Blas fica a aproximadamente 100 quilômetros da Cidade do Panamá. Mas atenção, apesar da distância não ser muito grande, chegar até ao Porto de Carti – local de onde saem os barcos para às ilhas – pode-se revelar uma verdadeira aventura.

Os primeiros 60 quilómetros deste trajeto são feitos em autoestrada, mas quando se vira à esquerda em direção às montanhas, começam as subidas ingremes, os enormes buracos na via e curvas e contracurvas.   

 

Créditos de imagem: San Blas Dreams 



Qual a melhor época para visitar San Blas

Dizem que a melhor época é entre os meses e dezembro e abril. Isso porque, esse é o período mais seco. No entanto nós fomos em dezembro e apanhamos alguma chuva, nada que nos tivesse impedido de aproveitar as ilhas, mas ficamos com a sensação que foi por mera sorte.

Como chegar a San Blas 

Há três maneiras para chegar às ilhas:

·         Carro e barco

·         Avião e barco

·         Veleiro

Cada uma das opções acarreta custos diferentes e consequentemente experiências diferentes.

Carro e Barco

Esta opção de deslocação pode ser efetuada de duas formas, com carro alugadoou com serviço de transporte terreste comprado numa agência.

Caso optem por alugar um carro tenham em atenção que é necessário um 4×4 pois:

ü  as estradas estão em muito má condição (verdadeiras crateras)  

ü  o trajeto tem partes muito ingremes, que em dias de chuva torna difícil senão impossível um carro ligeiro percorrer.

Tenham também em conta que o carro ficará estacionado no Porto de Carti durante os dias que estiverem alojados nas ilhas. 

A vantagem é que, não estarão sujeitos a horários, podendo se deslocarem ao vosso ritmo, mas terão que providenciar por vossa conta o transporte de barco e o alojamento nas ilhas, no caso de quererem passar umas noites por lá.   

Por outro lado, se contratarem um serviço de transporte terrestre junto de uma das muitas agências existentes, este serviço passa no vosso hotel entre as 5 e as 6 da manhã, o trajeto é efetuado num SUV, há uma paragem num supermercado para abastecimento antes de entrar na zona montanhosa e eles providenciam tanto o barco, como o alojamento.

 

O nosso SUV estacionado à porta do supermercado 

 

Avião e barco

É possível chegar a San Blas de avião. O voo leva apenas 20 minutos entre a Cidade do Panamá e o Aeroporto de Porvenir.

Tenham em atenção o tempo que demoram as formalidades nos aeroportos com check in e check out e ainda que o avião é de porte pequeno e só aceita bagagem de mão.

Caso não pretendam ficar alojados na ilha de Porvenir terão de contratar um transporte e alojamento noutra ilha.

Veleiro

 

Creditos: Blue sailing uma das empresas que fazem viagens de veleiro por San Blas 



Pode apenas se alojar no arquipélago num veleiro, em regime de tudo incluído e conhecer outras ilhas ou viajar desde a Colômbia até San Blas (deve ser maravilhoso😊😊😊).

Vimos bastantes veleiros e até conhecemos o dono de um que nos deixou os seus contatos, para outra oportunidade, quem sabe. (se alguém estiver interessado passaremos o contato sem qualquer problema)  

Da conversa que tivemos com ele e por aquilo que lemos nas redes sociais, nem todos os Kunas acham muita graça aos veleiros, porque defendem que estes, lhes retiram os turistas. Não sei se será assim tão certo, ou se serão públicos diferentes.

Se optar por ficar num veleiro tem de garantir que este lhe fornece o transporte até ao Porto de Carti e barco Kuna que o leve até ao veleiro ou a outro ponto de encontro.

Li alguns relatos de pessoas que foram proibidas de comentar que iriam ficar alojadas em veleiros, porque os Kunas podiam se recusar a realizar o transporte. (penso que porque podem perder a licença) 

 

São imensos os veleiros que recebem turistas 

 

 

Vantagens e desvantagens de ficar num veleiro:

Comparativamente com a estadia em ilha, o veleiro tem outras condições, a oferta da alimentação e alojamento Kuna é muito básica e os veleiros tem condições muito superiores.

Pelo que li nos veleiros está tudo incluído, a bebida também. Nas ilhas não, as bebidas ou são levadas ou se compram localmente.

 

Nós contratamos os passeios no pacote com a agência, mas vi nas redes sociais algumas pessoas que contrataram passeios no alojamento, ou seja, o transfer e o alojamento não incluía passeios e tinham de suportar mais este custo. Nos veleiros vai-se velejando pelas várias ilhas, conforme o vento ajuda.

Mas julgo que o  fator que mais influência na escolha da estadia é o preço. O preço dos veleiros é muito superior ao do alojamento Kuna, que por si só já é caro. (nalguns casos chega a ser o dobro)  

Se um dia voltarmos a San Blas e houver oportunidade gostaríamos de viajar desde Cartagena, na Colômbia, até aquele arquipélago, deve ser uma grande aventura.                        

Quantos dias ficar em San Blas

Muitos dos turistas que visitam San Blas, fazem aquilo que os brasileiros chamam de “bate e volta”, ou seja, vão de manhã bem cedinho e regressam ao fim do dia, dispensando assim o alojamento.

Muitos desses turistas tem voos de ligação a outras cidades do continente americano e uma grande escala na Cidade do Panamá, ou então as condições financeiras não permitem maiores aventuras.

Mas será que vale a pena ir nessas circunstâncias a San Blas? Na nossa opinião vale qualquer esforço para ir a San Blas. Nós já estivemos em alguns dos locais do mundo com praias fabulosas, mas confesso que o arquipélago de San Blas me deixou estasiada.

Não é só o azul-turquesa da água do mar, a sua temperatura, as areias branquinhas e as cores que o céu toma na hora mágica. É também o fenómeno de estar numa ilha muito pequena, na companhia de pouquíssimas pessoas, sem quaisquer luxos, mas a desfrutar do que a natureza nos dá. Ali, não há multidões como na Tailândia por exemplo. Somos só nós e a ilha.

 



Por isso, sem qualquer dúvida que recomendamos uma ida, nem que seja rápida a San Blas. Mas tenham consciência de que o trajeto de e para a Cidade do Panamá não é nada fácil e é demorado. No fundo ficarão apenas umas horas na ilha, serão levados às zonas mais movimentadas e regressam a cidade estafados, mas ainda assim vale a pena.  

 

O ideal é ficarem pelo menos 2 noites, permite não só usufruir mais e melhor da praia, mas também dos passeios que há para fazer.      

Acomodações e alimentação

 

A nossa cabana era a primeira, que luxo não!!!!?   

 

Se vão à procura de resorts em San Blas, esqueçam essa ideia. As acomodações são muitíssimo simples, na sua maioria casas de madeira e bambu, com ventilação natural, muitas com o chão em areia da praia e mobiladas parcamente.

Geralmente há três tipos de acomodações, camaratas, quartos privativos e cabanas privadas, claro que os valores são diferentes.            

Tenham em atenção que nas ilhas não há eletricidade, nem água potável, o W.C. é partilhado e o duche de água fria.

A alimentação é básica, mas pelo menos no nosso caso bem confecionada e inclui pequeno-almoço, almoço e jantar. As bebidas (exceto o café ao pequeno-almoço) não estão incluídas, por isso ou leva ou compra no local.

Em algumas ilhas é possível encomendar mediante pagamento lagosta, a um preço bastante mais baixo do que em Portugal, perguntem ao vosso anfitrião Kuna se ele arranja e negoceiem com ele o preço. Eles cozinham a lagosta com prazer.     

Uma nota para a internet e rede de telemóvel, nós compramos um cartão da Claro e não havia rede nenhuma, mas os kunas tem todos telefone e internet por isso acho que devem experimentar a operadora Movistar.    

O que levar para San Blas

 



Se tiverem hipótese levem apenas uma mochila pequena e deixem a bagagem de porão no hotel na Cidade do Panamá. Uma mochila pequena é o suficiente para dois ou três dias.   

Fica uma lista do que não pode deixar de levar:

– Toalha de banho (duas, uma para a praia e outra para o banho) 

– Roupa de praia     

– Protetor solar e repelente (na ilha em que fiquei não havia mosquitos, mas fica a recomendação).

– Dinheiro em espécie e trocado (notas de dólar e moedas Balboa).

– Passaporte original (tem que ser original, nada de cópias).

– Lanterna (embora na ilha onde fiquei houvesse luz de gerador até às 22 horas)

– Câmara fotográfica e/ou telemóvel, baterias de câmara carregadas e boas power bank tambem com carga (leve no entanto os carregadores porque em algumas ilhas pode carregar com a energia do gerador)

– Material de snorkeling

– Água, bebidas (atenção que não há frigorifico disponível para colocar as bebidas), lanches e frutas.

Impostos obrigatórios

São pagos impostos na entrada e no porto da Comarca Kuna, nós pagamos $23 cada um, assim como todos os turistas estrangeiros. Já os nacionais e os estrangeiros residentes pagam $ 8.     

As ilhas do arquipélago

Como já referimos, são cerca de 360 ilhas, nem todas visitáveis, terão que escolher apenas umas duas ou três para visitar.

Mas algumas são incontornáveis:

A Isla Perro Chico é talvez a mais famosa das ilhas, fica a 16 km da costa, tem uma boa faixa de areia, restaurante e é muito concorrida por causa do barco afundado.

 

Isla Perro Chico 



A piscina natural formada no meio do mar é famosa por oferecer aos visitantes a oportunidade de encontrar várias estrelas-do-mar, mesmo sem mergulhar.

 

Na Playa Estrella a água tem menos de um metro e permite ver dezenas de magnificas estrelas do
mar 

 

As ilhas dos Cayos holandeses, as mais distantes da costa, mas na minha opinião as mais belas, com praia lindíssima e rodeadas de corais.    

 

Cayos holandeses, na minha opinião a mais bela das ilhas 



Como foi a nossa experiência em San Blás

 



Nós marcamos a nossa viagem para San Blas, pela empresa San Blas Dreams ainda em Portugal e correu tudo muitíssimo bem.

Reservamos via internet a estadia para 3 dias/2 noites e visita aos Cayos Holandeses. Ainda em Portugal. pagamos uma parte pela reserva e indicamos o hotel onde ficaríamos na cidade do Panamá. Recebemos de imediato a confirmação e toda a informação que necessitávamos para a nossa viagem, desde o montante a pagar no local e forma de pagamento, impostos, horários de recolha no hotel e hora prevista de chegada à ilha onde iriamos dormir, bem como a composição dos passeios diariamente.

No Panamá, recebemos na véspera da nossa ida para San Blas uma mensagem via WhatsApp a confirmar o Hotel, a dar conta da hora prevista de recolha pelo SUV e o nome do motorista.

Dia 1

Deixamos o quarto pelas 5.30 horas e ainda deu tempo de tomar um pequeno-almoço cuidadosamente preparado (o hotel não valia nada, mas o pequeno-almoço foi fantástico).

Antes das 6 da manhã já estava o motorista à porta com o SUV cheio, restavam apenas os nossos dois lugares. 

A viagem foi alucinante. O motorista andava sempre em alta velocidade (os panamenhos acham que são atores da sequela velocidade furiosa) e rapidamente chegamos ao supermercado onde se poderia comprar bebidas, lanches e fruta e ainda tomar o pequeno-almoço ou café e ir ao W.C.

Continuamos a viagem em autoestrada até voltarmos à esquerda em direção às montanhas, a estrada piora, torna-se ingreme e sinuosa e esburacada. Entretanto começa a chover e a lama na estrada aumenta.

O nosso motorista não abrandava e ultrapassava tudo e todos, estávamos confusos com tanta presa, mas rapidamente percebemos, era feriado e muitos panamenhos iam passar esse dia ao arquipélago.

Um pouco mais à frente o motorista pediu os passaportes para o controlo de entrada na comarca de Guna Yala.

Andamos mais uns quilómetros e paramos numa fila que demorou pouco tempo até ficar resolvida.

 

A fila que tivemos de enfrentar 



Passadas 3 horas desde a partida na Cidade do Panamá, o motorista deixa-nos no porto de Carti e indica-nos o nosso guia Kuna, que nos levará para barco que nos transportará à ilha.

 

Puerto de Carti – onde começa a aventura para o arquipélago



Colocaram-nos no barco e passados 30 minutos estávamos na ilha Yanis. Já tinha chovido torrencialmente e ia chovendo aqui e ali. Chegados à ilha, somos conduzidos à nossa cabana, mesmo de frente para a água, que apesar da chuva não perdia o seu tom turquesa.

 

Ilha Yani – a nossa casa por 3 dias 



A chuva não dava tréguas e percebíamos na cara dos indignas a sua preocupação em não conseguirem levar os seus hospedes às ilhas que haviam reservado.

Antes do almoço ser servido o tempo abriu um pouco e permitiu-nos dar uns mergulhos, naquele mar maravilhoso com a água super quentinha, aproveitar os baloiços e redes estrategicamente colocadas no local mais fotogénico.  .

 

Nem a chuva afasta a beleza do local



O almoço nesse dia foi frutos do mar com arroz de coco e legumes, entretanto o nosso anfitrião informou-nos que se o tempo se mantivesse como estava não seria possível ir aos cayos holandeses dado o estado do mar. Claro que ficamos muito desiludidos, mas se há coisa que já aprendemos é que o tempo não se controla. Disponibilizou-se logo a levar-nos a outras ilhas mais perto e a devolver-nos parte do dinheiro que aliás ainda não lhe tínhamos pago.  

O tempo, embora muito nublado, melhorou e parou de chover, pelo que fomos informados que íamos passear depois de almoço.

E assim foi, o tempo foi limpando e podemos ir até à Isla Perro Chico com o seu longo areal.

 

Isla Perro Chico, o local mais movimentado de San Blas  



A poucos metros da praia está um dos motivos por esta ser umas das ilhas mais visitadas o snorkeling no barco afundado, cheio de corais e peixinhos.

 

Barco afundado cheio de vida 



Embora o céu não estivesse limpo e azul, o mar é translucido e a visibilidade é plena, dá para ver corais e peixes de todos os tamanhos, nós tivemos sorte e vimos um peixe-lua pequeno e um ratão.

 

 

Dali seguimos para a Playa Estrella, onde a água não tem mais de um metro e podemos nadar perto das estrelas-do-mar.

 



Mas o nosso dia não ficou completo sem um magnifico por do sol. O céu tomou magnificas tonalidades avermelhadas e transbordou a cor para o mar, dando à ilha uma beleza inebriante. (cores semelhantes só me lembro de ver no por do sol que assisti no Deserto do Uyuni, na Bolívia) 

 

As cores avermelhadas espalharam-se e tomaram tudo ao seu redor 

 

 

O grupo de turistas que estava connosco era pequeno, apenas 11 pessoas e o serão foi magnifico.

É importante saber que no Panamá às 17:30 é de noite, por isso às 21:00 horas todos recolhemos para o alojamento escolhido. Mas não sem antes contemplar o céu magnificamente estrelado. O dia seguinte prometia.

Dia 2

O dia amanheceu com nuvens, mas solarengo. Logo após o pequeno-almoço aproveitamos a manhã para fazer praia, ver tartarugas bebés e pelicanos, fotografar, ler, apreciar a cultura Kuna e dormir nas redes estrategicamente colocadas dentro de água.

 

A nossa praia 



Mas logo fomos informados que após o almoço iriamos para o Cayo Holandês. A viagem é longa, mais de 30 minutos de barco, mas por si só já vale a pena.

A ilha é de tirar o folego. Aproveitamos para fazer snorkeling e além de imensos peixes, vimos búzios gigantes, corais de todas as cores, lagostas e até um tubarão.

 

A Praia dos Cayos Holandeses é magnifica 

 

O Paulo encomendou o nosso jantar – lagostas e cavacos – que, entretanto, os Kuna foram comprar.

 

De regresso passamos por outra praia piscina, com mais estrelas-do-mar do que a do dia anterior.

 

As lindas estrelas 



Antes de anoitecer ainda pudemos ver um pequeno tubarão a nadar muito perto do areal e ao jantar consolamo-nos de lagosta e cavacos.

Dia 3

Era o dia de regresso à cidade do Panamá. Ao pequeno-almoço combinamos a hora de saída, assistimos à compra e pesagem do peixe para as refeições do dia e partimos em direção ao Porto de Carti.

 

A pescaria dessa madrugada 



Esperamos um pouco pelo nosso motorista (este muitíssimo tranquilo na condução) e passadas 3 horas estávamos no nosso hotel na Cidade do Panamá.

 

Foi uma experiência fantástica e embora excessivamente cara valeu a pena cada tostão.  

 

 

FUI Travels

Sou a Carla, advogada de profissão e turista sempre que posso. Sou casada com o Paulo, o meu companheiro de viagem, mãe de dois rapazes e de um patudo. Sonho em viver pelo mundo, perder-me por locais desconhecidos e relatar tudo o que vejo e sinto.

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